Por que o Facebook quer disputar o mercado de buscas com o Google

Mark Zuckerberg, a mente por trás do sucesso da rede social

Faz sentido a maior rede social do mundo diversificar seus serviços e entrar nas buscas?

O CEO do Facebook Mark Zuckerberg disse numa entrevista ao site TechCrunch, no começo de setembro, que sua rede social tem hoje mais de um bilhão de buscas diárias — mesmo não possuindo uma ferramenta específica para isso. (Só é possível encontrar, no Facebook, pessoas e páginas que estão dentro do próprio site.) E com números tão expressivos, Mark afirmou que cogita entrar definitivamente no ramo das buscas.

Mas o que faria do Facebook um competidor à altura do Google?

A resposta é o database que eles possuem: os usuários e seus círculos de amizade. A quantidade de informações que postamos no Facebook é absurda. São likes, comentários, fotos, vídeos… Esses dados valem muito para uma procura e resultados mais completos.

A tecnologia de buscas hoje é baseada em logaritmos complexos. Na maioria das vezes eles nos mostram o que procuramos, mas os resultados são quase sem fim. Como escolher a opção certa dentre tantas possibilidades? Para se informar de algum assunto especifico como a biografia de Napoleão Bonaparte, normalmente o primeiro link basta. Mas e para escolher um restaurante para levar sua namorada? Você terá que arriscar em algum da lista.

Agora vamos mudar de cenário — e fazer a mesma busca numa rede social. O resultado levaria em conta, além dos seus gostos pessoais, todos os tipos de informações (como likes, check-ins e comentários) sobre os restaurantes em questão. Melhor confiar na opinião dos seus amigos? Ou de um texto encontrado no Google escritor por sabe-se lá quem? E com a compra do Instagram pelo Facebook, podemos ver até fotos do ambiente e dos pratos. Esse conceito serve para todos os tipos de procura: cinemas, bares, teatros, viagens e até mesmo serviços. Nada como achar o médico de confiança dos seus amigos.

Hoje o Facebook passa por problemas sérios. Suas ações despencaram e eles precisam achar maneiras de trazer mais dinheiro para a empresa, para que investidores vejam vantagem em colocar seu capital nos papéis da rede.

Alguns analistas falam sobre um possível smartphone fabricado pela companhia, que essa seria uma boa maneira de alavancar o Facebook para o patamar das grandes do Vale do Silício, como Apple e Amazon. Mas o próprio Zuckerberg desmentiu esses rumores, dizendo: “Por que faríamos um celular? Para vender algo em torno de 10 a 20 milhões de unidades ? Temos 950 milhões de usuários e estamos crescendo. Essa quantidade não é significativa para nós.”

Entrar em buscas é bem complicado e perigoso, porque seu rival seria simplesmente o Google, o único site do mundo que tem mais acessos do que o Facebook. Mas como dizia meu velho pai, sem grandes riscos não há grandes vitórias. (Sim, a frase com certeza é de algum filósofo ou sociólogo importante. Mas não me importo, dou o crédito para ele.) Espero que o Mark pense com carinho nessa possibilidade. Porque essa, meu amigo, é a mais verdadeira billion dollar ideia.

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