Fachin avalia abrir inquérito sobre gravação secreta em reunião que afastou Toffoli

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 20:22
O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. Foto: Rosinei Coutinho/STF

Edson Fachin, ministro do Supremo Tribunal Federal, quer abrir um inquérito para apurar a gravação clandestina da reunião realizada entre ministros da Corte na quinta-feira (12), encontro que resultou no afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master. A iniciativa é tratada nos bastidores como uma resposta institucional a uma possível violação da segurança interna do tribunal. Com informações de Guilherme Amado, no PlatôBR.

Segundo relatos, Fachin avalia duas possibilidades: instaurar o inquérito de ofício, nos moldes do procedimento que deu origem ao inquérito das fake news, ou encaminhar o caso à Procuradoria-Geral da República para que o órgão tome as providências cabíveis. A avaliação é de que a situação, caso confirmada, representa uma ameaça à integridade das deliberações da Corte.

A desconfiança entre os ministros surgiu após a publicação de uma reportagem que reproduziu com fidelidade trechos das falas feitas durante a reunião, inclusive com citações entre aspas. O conteúdo divulgado levantou questionamentos sobre a origem das informações e sobre a possibilidade de que o próprio Toffoli tenha gravado o encontro.

O ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

A reunião tratou do caso Master e culminou na saída de Toffoli da relatoria. O episódio já vinha sendo acompanhado com tensão nos bastidores do Supremo, mas a suspeita de gravação clandestina elevou o nível de preocupação dentro do tribunal, transformando uma divergência processual em potencial crise institucional.

Nos corredores do STF, ministros avaliam que, se confirmada a gravação sem conhecimento dos demais participantes, o fato poderá ter repercussões disciplinares e até criminais. A Corte tradicionalmente trata suas reuniões internas como espaços reservados, onde posições são debatidas com liberdade antes de decisões formais.

O desdobramento do caso deverá definir não apenas o futuro da investigação sobre a suposta gravação, mas também o ambiente interno entre os ministros.