Fachin lança cartilha sobre salários de juízes e pede para separar “joio do trigo”

Atualizado em 18 de agosto de 2026 às 12:54
Edson Fachin na abertura dos trabalhos do segundo semestre do STF
Edson Fachin na abertura dos trabalhos do segundo semestre do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Edson Fachin, lançou nesta terça (18) uma cartilha para responder a dúvidas sobre a remuneração de ministros e juízes. Na abertura da sessão de julgamentos do órgão, ele defendeu a atuação da magistratura e afirmou que é necessário separar “o joio do trigo” no debate sobre salários e benefícios.

“Temos orgulho da atuação de ambas as instituições, bem como de magistrados e magistradas brasileiros que exercem o seu labor honesto, atendendo a população por todo o país e julgando com lisura e produtividade ímpares”, afirmou Fachin. Para o ministro, o tema “não comporta indevida simplificação”.

A publicação se chama “Remuneração de Magistrados e Magistradas: perguntas frequentes”, tem 20 páginas e reúne uma cronologia de decisões do STF sobre o teto remuneratório. O documento também busca explicar por que verbas indenizatórias ficam fora do cálculo do teto constitucional.

A cartilha lista os chamados penduricalhos que integram os pagamentos a membros da magistratura. O lançamento ocorre após decisões do Supremo sobre valores que ultrapassaram os limites estabelecidos para verbas recebidas além dos salários regulares.

Plenário do STF. Foto: Divulgação

STF mandou sete tribunais suspenderem pagamentos acima do teto

Na semana passada, ministros do STF determinaram que sete tribunais estaduais suspendam pagamentos muito acima do teto constitucional e providenciem a devolução de valores sem justificativa. A ordem alcança os Tribunais de Justiça de Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e Distrito Federal.

Os tribunais devem identificar os magistrados que receberam quantias indevidas e exigir a restituição do que exceder o limite de 70%. A decisão marcou a primeira determinação do STF para devolução de valores em um caso relacionado aos penduricalhos.

Em julho, o Supremo deu 48 horas para que os presidentes desses sete tribunais explicassem os pagamentos. Levantamento que motivou a cobrança apontou casos em que as verbas somadas alcançaram até R$ 495 mil.

Em março, o STF limitou as verbas indenizatórias de magistrados, procuradores e promotores a 35% do teto constitucional, então fixado em R$ 46 mil. Em junho, ao analisar recurso da Procuradoria-Geral da República, a Corte flexibilizou as regras e autorizou, entre outras situações, o pagamento em dinheiro de férias, licenças-prêmio e plantões acumulados antes do julgamento de março.

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