Fachin virou “parte” no casos das mensagens Moro-Deltan. Por Fernando Brito

Publicado no Tijolaço

Por FERNANDO BRITO

 

A decisão de Fachin foi dada ontem (4) e com isso, o processo que entraria hoje (5) em julgamento virtual, foi retirado de pauta.
Imagem: Carlos Moura/SCO/STF

A autoria da reportagem – Fausto Macedo, do Estadão, sempre foi um dos jornalistas com mais amplo acesso a Moro e à Força Tarefa da Lava Jato – não deixa dúvidas que Luiz Edson Ah-ha-uhu Fachin É Nosso continua sendo deles.

Lula desiste de habeas corpus e esvazia estratégia de Fachin para reduzir danos à Lava Jato , texto assinado por ele no jornal paulista, mostra que foi preciso usar uma franquia legal – desistir de pedido de HC – para evitar que Fachin se utilizasse dele para “aliviar” a situação de Sergio Moro no julgamento de sua suspeição no caso do chamado tríplex, fazendo com que caísse a suspeita sobre a ação dos desembargadores do Tribunal Federal Regional e, portanto, houvesse, por fatos supervenientes, uma legitimação da sentença do ex-juiz de Curitiba.

Não é a primeira vez que a defesa de Lula tem de “esvaziar a estratégia” de Fachin, uma situação inacreditável ( ou que deveria sê-lo) em que um juiz – e no caso, um ministro do Supremo – se torna “parte” de um processo.

No início de fevereiro teve de fazer o mesmo em uma ação do mesmo gênero contra os procuradores da Força Tarefa, para evitar que o ministro recusasse o acesso às mensagens colhidas durante a Operação Spoofing e ficasse prevento – situação em que todas as questões sobre isso seriam de sua relatoria – e garantisse que os diálogos escandalosos permanecessem desconhecidos.

A situação de Moro e dos procuradores da Lava Jato está tão deteriorada que teremos o impensável se saírem ilesos da temporada de revelações que saem destes arquivos.

A movimentação de Deltan Dallagnol para desrespeitar a decisão de soltura de Lula em julho de 2018, reveladas por diálogos em que o procurador parece comprometer a ministra Cármem Lúcia numa ação ilegal – mandar a Polícia Federal não cumprir a ordem dada pelo Desembargador Rogério Favretto – foi a última gota d’água para deixá-la furiosa com a turma curitibana.

Seja verdadeira ou falsa a alegação (e tudo indica que é falsa, pois a ministra não se exporia desta forma e menos ainda faria propaganda disso) para um “coletivo” de procuradores. Mandar descumprir ordem judicial é terrível para qualquer um e impensável para um ministro do Supremo.

Ao votar pelo acesso dos advogados de Lula às mensagens, Cármem Lúcia sinalizou que, ao contrário de Fachin, não está disposta a afundar com a baderna que fez a turma Moro-Dallagnol.

 

 

 

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