Faculdades de SP adotam regras rígidas sobre celular; confira

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 14:13
Uso de celulares nas universidades. Foto: Divulgação

Universidades particulares tradicionais de São Paulo iniciaram 2026 com regras mais rígidas para o uso de celulares em sala de aula. Os aparelhos passaram a ser permitidos apenas quando vinculados a atividades acadêmicas com finalidade pedagógica.

A medida surge após a proibição de celulares na educação básica, consolidada por lei federal em vigor desde janeiro de 2025, e amplia o debate para o ensino superior, onde não há obrigação legal semelhante.

Mesmo sem imposição normativa, instituições privadas decidiram limitar smartphones, tablets e laptops sob o argumento de que o uso indiscriminado afeta a concentração, a qualidade das interações e o desempenho acadêmico.

A mudança dividiu estudantes. Parte recebeu a decisão com resistência, enquanto outros admitem que as notificações constantes prejudicam o foco durante as aulas. Entre as instituições que adotaram diretrizes mais restritivas estão Fundação Getulio Vargas, Escola Superior de Propaganda e Marketing e Insper.

Em todas, a orientação não foi apresentada como rejeição à tecnologia, mas como organização do uso. Na FGV, a recomendação é que o celular seja utilizado apenas quando houver relação direta com a proposta do professor, com base em evidências acadêmicas sobre distração.

Uso de celulares nas universidades. Foto: Divulgação

A ESPM também orienta que os dispositivos permaneçam guardados, salvo quando solicitados para fins pedagógicos, e incentiva anotações manuscritas como forma de fortalecer a consolidação do aprendizado. A instituição sustenta que a medida integra uma estratégia alinhada a boas práticas educacionais.

No Insper, a restrição é vista como parte da formação profissional. “Ao restringir o uso não pedagógico do celular, estamos reforçando uma expectativa coerente com a formação que oferecemos: uma postura mais profissional em sala de aula, compatível com contextos de alta exigência intelectual e responsabilidade coletiva. Em síntese, a sala de aula é o primeiro ambiente profissional do estudante”, afirma o presidente Gustavo Martins.

Na direção oposta, instituições como Link School of Business e Faculdade Belavista se posicionaram contra a proibição. Para elas, a universidade deve priorizar autonomia e responsabilidade individual. O fundador da Link, Alvaro Schocair, declarou: “Nosso papel é dar responsabilidade ao aluno e mostrar para ele o quão importante aquele tempo de dedicação e atenção dele naquele momento de sala de aula é importante”.

A diretora executiva da Belavista, Milena Seabra, também criticou a medida. “Quando a universidade proíbe o celular, pode até reduzir um sintoma imediato, mas transfere o problema para o futuro. No mercado de trabalho não existe proibição, existe exigência de foco, responsabilidade, maturidade e autogestão”, argumenta.

Estudos realizados na China, nos Estados Unidos e na Índia, incluindo levantamento com mais de 17 mil estudantes, apontaram benefícios na concentração quando há restrição. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Smile, da Stanford Graduate School of Education, indicam que o uso pedagógico orientado pode gerar resultados positivos.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.