‘Fale com frequência, mas jamais longamente’

Os discursos intermináveis de Fidel não seriam aplaudidos por Chesterfield

Me divirto escolhendo a Frase do Dia, mesmo sem saber se você a está notando.

De alguma forma me aproximo de meu pai. Ele cuidava das páginas de opinião da Folha no final dos anos 70, e escolhia as frases com rigorosa alegria.

Tenho dado preferência, neste início, a frasistas. Como disse, a arte das máximas foi inventada pelos franceses e, entre eles, ninguém excedeu La Rochefoucauld, um aristocrata do século XVII. Ferino, elegante, com um punhado de sentenças ele mostrou como somos uma comédia nem sempre bem encenada.

O maior frasista inglês, Chesterfield, um admirador da cultura francesa que viveu no século XVIII, tem um caráter mais prático em suas frases. Tão prático que ele recomendava ler regularmente La Rochefoucauld para que ninguém esquecesse como é o mundo em que vivemos.

Chesterfield juntou suas reflexões num livro dedicado a seu filho, “A Fina Arte de se tornar um Homem”. Escolhi, para hoje, uma recomendação que deveríamos seguir sempre. Não é uma louvação do silêncio, como encontramos em tantos filósofos. Montaigne, por exemplo, escreveu que o silêncio, entre outras virtudes, não causa sede.

Mas é um apelo sintético e realista à moderação. “Fale com frequência, mas jamais longamente.”

Dedico-a a todos os apaixonados pela própria voz.

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