
Um erro cometido por empresas no envio de dados usados pela Receita Federal está levando trabalhadores de todo o país a terem suas declarações do Imposto de Renda retidas na malha fina em 2026. O problema ocorre após mudanças no sistema de apuração do imposto retido na fonte, que passou a utilizar novas bases de informações neste ano. Com informações do G1.
Segundo a Receita Federal, a orientação aos contribuintes é utilizar os valores informados no informe de rendimentos fornecido pelo empregador. Caso a empresa envie um novo documento corrigido, será necessário fazer uma declaração retificadora para ajustar os dados e regularizar a situação fiscal.
O aumento no número de retenções está relacionado ao fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), que deixou de ser utilizada neste ano. Antes, a Dirf reunia informações anuais sobre pagamentos e retenções feitas pelas empresas, incluindo valores destinados a pessoas físicas no país e no exterior, além de dados sobre planos de saúde corporativos.
Com a mudança, a Receita passou a utilizar principalmente duas bases digitais: o e-Social e a EFD-Reinf. Esses sistemas concentram dados trabalhistas, previdenciários e tributários das empresas e fazem parte de uma estrutura que centraliza o envio de informações fiscais e contábeis. Por serem mais detalhados e complexos, erros no preenchimento têm provocado divergências entre os dados informados ao Fisco e os registros apresentados aos trabalhadores.
De acordo com estimativas do órgão, o número de declarações retidas em malha fina neste ano está cerca de 2% maior do que no mesmo período anterior. Até as 12h de sexta-feira, dia 17, cerca de 13 milhões de declarações haviam sido entregues. Esse aumento representa aproximadamente 260 mil contribuintes a mais com pendências. O prazo para envio começou em 23 de março e segue até 29 de maio, com expectativa de receber 44 milhões de declarações em 2026.
Entre os problemas identificados, há casos em que empresas classificaram incorretamente o décimo terceiro salário como rendimento tributável comum, quando ele deveria ser informado como tributação exclusiva na fonte. Também foram registrados erros relacionados ao período correto de lançamento dos salários, já que a Receita considera a data efetiva de pagamento e não o mês de referência do trabalho.
O órgão federal explicou que a maioria das inconsistências não é intencional, mas resulta de falhas de interpretação ou classificação das informações nos novos sistemas. Em muitos casos, o informe de rendimentos entregue ao trabalhador está correto, enquanto o erro ocorre na forma como os dados foram registrados nas plataformas digitais utilizadas pelas empresas.
Para quem caiu na malha fina, a recomendação inicial é aguardar caso tenha utilizado os valores do informe de rendimentos. Se a empresa corrigir dados diretamente nos sistemas, a pendência pode ser resolvida automaticamente. No entanto, quando houver emissão de um novo informe com valores alterados, o contribuinte deverá enviar uma declaração retificadora para atualizar as informações e sair da malha fina.