Falsa esquerda faz o jogo da direita e acusa do PT de racismo: não é falta de noção, é má-fé. Por Igor Santos

Lula com estudantes na inauguração do novo campus da Unilab na Bahia, em 2014. Foto: Ricardo Stuckert

Nas últimas duas semanas, tenho lido por parte de um setor da esquerda ofensas graves contra o Partido dos Trabalhadores. Chamam o partido que implementou programa de cotas raciais de racista.

Sim, isso mesmo, enquanto a Folha de São Paulo e Estadão, buscam subterfúgios para mascarar que foi o PT que implementou políticas de acesso ao ensino superior a mulheres, negros e pobres, parte da esquerda acusa o PT de ser racista.

E foi isso mesmo que você leu! Enquanto Folha e Estadão chamam Lula de Década, em um claro recurso para ocultar o legado do PT, parte dos blogueiros/influencers da chamada ‘‘frente de esquerda’’, em seus perfis no Twitter e Facebook, chamam o PT de racista por um suposto roubo de protagonismo, depois pela encarceramento da juventude negra e pasmem, em algum momento, um dos influencers usa a prisão de José Dirceu como chamada, alegando que tanto a operação Lava Jato quanto a prisão do dirigente petista, ao menos serviram para o PT repensar a política de encarceramento.

O antipetismo com matizes vermelha não apenas demonstra uma complexa moléstia – síndrome de Estocolmo – ao colaborar com jornalões, como também uma triste miopia ou oportunismo, crendo talvez que ao ajudarem a destruir ou ao menos difamar o PT, terão sua porcentagem de capital político.

Só quero lembrar que muito antes da esquerda brasileira abraçar a luta antirracista, o maior partido da esquerda brasileira, já pensava em secretarias e políticas que traziam ao centro do debate a questão racial.

Criamos de 2002 até 2016 o maior número de universidades públicas e Institutos Federais na história desse país, antes disso elegemos chapas onde militantes negras e negros encabeçavam postos importantes de decisão política quer seja nacional, estaduais ou regionais.

Quem chama o PT de racista precisa fazer um exame de consciência, pois está sendo instrumentalizado por um setor que se fantasia de esquerda radical, mas não passa de uma festa à fantasia dirigida por poetas medíocres e senhores brancos de classe média.

Vale lembrar ainda que basta um Google – isso se os mesmos não tiverem retirado criminosamente de seus arquivos partidários, prática comum inclusive – para saber quem foi contra cotas raciais e sociais, sob uma consigna ingênua de que universidade pública deveria ser tão somente para estudantes egressos da escola pública e a extinção da educação particular.

Muito fácil debater nesses ditames, acusar assim e amanhã ou depois ao gosto do freguês (suponham aí quem pode ser o freguês).

Querem debater?

Disputem o mundo real, muito além de grupos de estudos e, aqui não estou negando o papel transformador do estudo, muito pelo contrário. Teoria marxista sem base social é apenas hegelianismo de ocasião.

Esquerda disputa com direita, existe espaço para mais de uma organização de esquerda no Brasil, imaginem aí por exemplo um cenário onde no lugar de bater no PT, outras agremiações de esquerda tivessem um número de parlamentares parecido. Destruir o PT, pensei que já fosse ponto pacifico, só serve para fazer crescer a direita, o antipetismo é antes anti-esquerda.

Mas fica uma importante lição disso, aqui nas redes, nós petistas sempre fomos muito fraternos com outros setores da esquerda, mesmo aqueles que demoraram a entender que 2016 foi golpe, por entendermos que, para a esquerda crescer, precisamos combater a direita, e mesmo aqueles que discordam de nós, e isso é saudável e fraterno, ainda são nossos companheiros. Sempre deixamos nosso canais abertos para falas e outras exposições, acho que acabou o amor, quem nos chama de racistas precisa ser categorizado como inimigo e, como tal, precisa ser combatido, pois instrumentaliza a luta das negras e negros em nome de um fratricídio pueril.

Somos o Partido de Paulo Paim, Vicentinho, Benedita da Silva e tantas e tantos militantes do movimento negro nacional e latino-americano.

Angela Davis, brava militante dos Panteras Negras, em atividade em 2019 no Brasil expôs como o antipetismo se configura como parte de uma estratégia de guerra aos negros e pobres, terminou tal fala com um sonoro Lula Livre, talvez isso tenha sido dolorido para quem se presta ao antiLula e se acredita um bolchevique dos trópicos.

Termino esse texto com um conselho:

Cuidado, hoje utilizam vocês e suas redes para esse tipo baixo de acusação, quando não mais servirem para isso, podemos supor o que farão com os mesmos. Depois não adianta apagar texto e dizer que não disse o que disse.

A prática é o critério da verdade, já dizia um barbudo alemão.

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