Farejando derrota, Eduardo Bolsonaro usa discurso de Trump para atacar eleições brasileiras

Atualizado em 17 de julho de 2026 às 11:23
Eduardo Bolsonaro, foragido da Justiça brasileira. Foto: Saul Loeb/AFP

Eduardo Bolsonaro voltou a lançar suspeitas sobre a lisura do sistema eleitoral brasileiro ao reproduzir, nesta quinta-feira, a narrativa apresentada horas antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um discurso cheio de fake news na Casa Branca.

Ele está desenhando a estratégia para contestar uma provável derrota de Flávio Bolsonaro no pleito vindouro.

Eduardo, que fugiu para os EUA e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 2 meses de reclusão por coação no curso do processo, em razão de sua atuação para tentar interferir no julgamento da ação sobre a tentativa de golpe de Estado, utilizou o discurso de Trump para insinuar que as eleições brasileiras são fraudadas.

Em pronunciamento em horário nobre, Trump afirmou que documentos da CIA mostrariam que os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro tentaram manipular eleições por meio de sistemas eletrônicos de votação. No entanto, o próprio relatório citado pelo presidente americano afirma que não há provas e conclui que não existem evidências de que a Venezuela ou a empresa Smartmatic tivessem capacidade de alterar resultados eleitorais nos Estados Unidos.

Poucas horas depois, Eduardo Bolsonaro publicou uma longa mensagem no X afirmando que os supostos arquivos da CIA comprovariam que “Maduro fraudou urnas eletrônicas para roubar a eleição e se reeleger em 2020”. Em seguida, passou a estabelecer paralelos entre a Venezuela e o Brasil.

O deputado voltou a citar a Smartmatic, lembrando que a empresa foi fundada por venezuelanos e que treinou funcionários envolvidos na operação das eleições brasileiras de 2014. A partir daí, retomou antigas alegações sobre a disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves e repetiu a tese de que as urnas eletrônicas brasileiras seriam uma “caixa-preta” e impossíveis de auditar.

Eduardo também voltou a atacar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que as auditorias realizadas após as eleições de 2014 e 2022 não teriam conseguido verificar adequadamente o sistema e mencionou a invasão de sistemas administrativos do tribunal em 2018 como argumento para sustentar suspeitas sobre a segurança do processo eleitoral.

Ao final da publicação, fez uma associação direta entre o caso venezuelano e o Brasil:

“Então pergunto: ontem foi a vez de desmascarar a Venezuela de Maduro, mas alguém ficaria surpreso se algo semelhante fosse anunciado sobre o Brasil?”

A estratégia reproduz o roteiro adotado por Donald Trump desde sua derrota para Joe Biden em 2020. Sem apresentar evidências, Trump questionou a integridade do sistema eleitoral americano e atribuiu a governos estrangeiros tentativas de manipular eleições.

Em entrevista à rede pública americana PBS, o ex-assessor jurídico da Casa Branca Ty Cobb, que atuou no primeiro governo Trump, afirmou que o pronunciamento do presidente tem como objetivo construir a justificativa para contestar o resultado das eleições caso os republicanos sejam derrotados. Segundo Cobb, o discurso busca criar o “pressuposto” necessário para que Trump declare uma situação de emergência na época da votação.

O ex-conselheiro disse considerar “praticamente certo” o envio de agentes do Serviço de Imigração (ICE) aos locais de votação, após declarações de aliados como Steve Bannon e Todd Blanche, e não descartou o emprego da Guarda Nacional. Na avaliação de Cobb, essas medidas poderiam servir para intimidar eleitores, especialmente minorias e imigrantes, além de criar condições para apreender máquinas de votação — uma iniciativa que, segundo ele, Cobb concluiu que espera que Trump faça “tudo o que puder para impedir a transferência pacífica de poder”, evitar uma vitória democrata e manter a si próprio e seus aliados no poder

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