Farras e caronas entram na linha de defesa no caso Banco Master

Atualizado em 28 de junho de 2026 às 14:24
O senador Jaques Wagner – Lula Marques/ Agência Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, afirmou estar indignado com a operação da Polícia Federal que expôs sua proximidade com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro. Em entrevista, ele acusou os investigadores de armarem uma “patacoada” para prejudicá-lo. “Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a polícia tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, disse à Folha. Com informações da Globo.

Segundo a investigação, além de caronas aéreas, Wagner teria pedido a Lima que comprasse um apartamento de R$ 2,5 milhões para sua filha. Após a operação, o senador afirmou que pretendia reembolsar o empresário. “Eu sei que é nebuloso, que todo mundo vai… mas objetivamente, está no meu nome?”, disse. Ele acrescentou: “O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito”.

Wagner também confirmou ter solicitado ao empresário ingressos para sua neta assistir a um show de Taylor Swift nos Estados Unidos, com bilhetes de camarote que teriam custado R$ 63 mil. “Estão achando que ele ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”, afirmou.

Outros políticos citados na investigação também adotaram linhas de defesa semelhantes. O deputado Hugo Motta admitiu ter voado no jatinho de Vorcaro para Portugal, onde participou de evento ligado ao ministro Gilmar Mendes, afirmando: “Não vejo também problema nenhum. Ele não me pediu nada em troca”.

Hugo Motta e Daniel Vorcaro – Foto: Reprodução

O presidente da Câmara já havia participado de outra viagem ligada ao empresário em Nova York, com despesas elevadas. Segundo a PF, ele também teria solicitado um empréstimo de R$ 22 milhões para empresa da família. Questionado, afirmou que a operação ocorreu “dentro da legalidade”.

Quando surgiram as informações envolvendo Flávio Bolsonaro e um pedido de R$ 61 milhões ao empresário para financiar um filme sobre o pai, o senador negou irregularidades. “Não tem absolutamente nada de errado”, disse. Já Ciro Nogueira evitou comentar o caso publicamente e, por meio de assessoria, afirmou que “não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada”.