“Fast foods não são uma escolha saudável”: sejamos gratos ao ataque de sincericídio do McDonald’s

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Ilustração do McResource Line

 

Com um ataque de sincericídio — ou hipocrisia, se preferir –, o McDonald’s prestou um favor a pais que tentam convencer os filhos a não comer lá porque, basicamente, faz mal à saúde.

O site McResource Line é mantido pela empresa como uma espécie de departamento de recursos humanos online. Ou melhor, era mantido. Se você tentar acessá-lo agora, lerá a mensagem: “Estamos realizando temporariamente uma manutenção a fim de proporcionar-lhe a melhor experiência possível”.

A razão é a quantidade de conselhos importantes que havia ali, mas que se chocam com a vida real da rede e o que ela vende mundo afora. Uma vez tornados públicos, eles viraram uma fonte de enorme constrangimento.

Para ilustrar a diferença entre uma “escolha não-saudável ” e uma “escolha mais saudável”, a cadeia de lanchonetes, que tem cerca de 700 mil funcionários no mundo, postou fotos de um típico combo macdonaldiano e outra de um sanduíche ladeado por uma salada e um copo d’água.

“Fast foods são rápidos e têm preços razoáveis. Embora convenientes e econômicos para um estilo de vida ocupado, fast foods são tipicamente ricos em calorias, gordura, gordura saturada, açúcar e sal e podem causar obesidade”, dizia o site.

O negócio é “comer em lugares que ofereçam uma variedade de saladas, sopas e legumes. Em geral, evitar itens que são fritos são sua melhor aposta”.

Continua: “As pessoas com pressão arterial elevada, diabetes e doenças do coração devem ter muito cuidado com a escolha de fast food”. É bom “limitar os extras, tais como queijo, bacon e maionese.”

O McDonald’s emitiu uma declaração segundo a qual “partes deste website continuam a ser tomadas totalmente fora de contexto”. Mas não foi a primeira vez que algo desta natureza acontece com o McResource Line. Há algumas semanas, os empregados em mais de 100 cidades americanas abandonaram o trabalho, exigindo o salário mínimo de 15 dólares por hora, duas vezes o atual.

Na mesma época, a corporação listava dicas de como dar a gorjeta correta para passeadores de cães, massagistas, personal trainers, limpadores de piscina e babás — algo que, muito provavelmente, não faz parte do cotidiano de um sujeito que serve McChickens.

Aos queixosos, foi sugerido que se inscrevessem em programas de benefícios do governo e que, para ganhar dinheiro, vendessem seus objetos pessoais em sites de leilões como eBay e Craigslist. Era importante que parassem de brigar por salários porque “dez minutos de reclamações elevam os níveis de estresse”.

O mundo precisa de mais alternativas ao McDonald’s — segundo o McDonald’s, pelo menos. Só falta, agora, admitir que o hambúrguer é feito de minhoca.

 

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Ilustração do McResource Line

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