
O advogado Wellington César Lima e Silva foi convocado pelo presidente Lula para uma conversa no Palácio do Planalto nesta terça-feira (13). Durante o encontro, é esperado que ele seja anunciado como o novo ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil.
A nomeação dele deverá ser oficializada ainda hoje, dando início a mais um capítulo de sua longa trajetória em cargos de confiança no governo petista. Ele tem uma carreira marcada por diversas passagens em gestões petistas, incluindo uma breve e polêmica experiência como ministro da Justiça.
Atualmente, ele ocupa a posição de chefe do departamento jurídico da Petrobras, cargo para o qual foi indicado por Lula. Sua relação com o presidente é próxima, sendo ele um colaborador constante no Palácio do Planalto, especialmente durante seu período como secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, função que exerceu entre janeiro de 2023 e julho de 2024.
Durante esses 18 meses na Casa Civil, Lima e Silva desempenhou funções cruciais, como a análise de atos da Presidência e a preparação de despachos, estreitando cada vez mais sua relação com o presidente, com quem despachava quase diariamente.
Sua atuação ajudou a consolidar a confiança do presidente em sua capacidade administrativa e política, preparando o terreno para a nova indicação ao Ministério da Justiça. Essa não é a primeira vez que Wellington Lima e Silva ocupa um cargo de destaque em gestões petistas.
Em 2016, no meio do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, ele foi nomeado ministro da Justiça, mas sua passagem pelo cargo foi extremamente breve. Exoneração em apenas 14 dias e uma posse anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) marcaram sua curta atuação no ministério, devido à interpretação de que membros do Ministério Público não podem ocupar cargos no Executivo.

Lima e Silva, que ingressou no Ministério Público da Bahia em 1991, se destacou nas comarcas do interior e foi promovido para Salvador em 1995. Em 2010, foi nomeado para chefiar o Ministério Público da Bahia, cargo que ocupou durante dois mandatos consecutivos, período no qual consolidou sua reputação como figura de confiança entre aliados do PT, como o atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Foi Wagner, ex-governador da Bahia, quem articulou sua indicação para o Ministério da Justiça em 2016, cargo que ele deve assumir novamente agora. Além disso, ele se destacou pela criação do Comitê Interinstitucional de Segurança Pública na Bahia, que congregava diversas instituições para propor melhorias no sistema de justiça criminal e na defesa social.
Sua atuação também foi marcante na aproximação entre o Ministério Público e as forças policiais, além de sua participação ativa no programa Pacto pela Vida, que visa reduzir a violência no estado. Em 2013, ele se envolveu em um debate relevante sobre a “polícia judiciária”, ao se manifestar contra a PEC 37, que pretendia retirar os poderes de investigação do Ministério Público.
Na ocasião, ele defendeu que a polícia deveria ter atribuições investigativas, mas com o apoio de outras instituições, como a Promotoria, sem que houvesse uma “plena hegemonia” de qualquer uma delas. Formado em Direito e com mestrado em Ciências Criminais, Lima e Silva também tem experiência acadêmica, tendo atuado como professor na Universidade Federal da Bahia.
Sua nomeação como ministro da Justiça vem após a exoneração de Ricardo Lewandowski, cujo cargo foi oficializado no Diário Oficial da União na última sexta-feira (9). Lewandowski deixou a pasta após o período interino de Manoel Carlos de Almeida Neto, nomeado para comandar o ministério até a nomeação do sucessor.