Felipe Neto, Eduardo Moreira e os amigos e inimigos da esquerda. Por David Arcaide

Felipe Neto e Eduardo Moreira. Foto: Reprodução/YouTube

POR DAVID ARCAIDE 

Alexandre Frota era “eles” e agora está mais “nós” que “eles”. Ainda é eles ou já o tornamos um de “nós”? É um proletário da arte, que se perdeu, envelheceu, não se reinventou e virou meme.

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Subiu em carro de som e encheu os pulmões para defender o governo que foi eleito fraudulentamente em 2018. Hoje ele defende até voto no Lula.

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Reinaldo Azevedo é “nós” com a cabeça do “eles”, que depois de ter cunhado adjetivos e acusações que levou o Brasil ao controle de um “eles” de extrema direita, decidiu refletir sobre quem ele é.

Ainda não é 100% “nós”, mas é menos de 50% “eles”. É um proletário que entendeu parte do seu processo e demorará mais ou numa chegará o dia em que admitirá com veemência: “eu errei”.

Eduardo Moreira, é muito “eles”. Cresceu no “eles”, foi criado na escola do “eles”, viveu da exploração de “nós”, comeu, bebeu, viajou, se divertiu e viu muito dinheiro e poder, através de “nós”. Segundo a lógica capitalista, é isso.

Hoje é considerado em quase a totalidade da esquerda, um de “nós” de valor e respeito, uma voz a ser ouvida.

Onde quero chegar com esses quatro exemplos? Não existe “nós” e “eles” na esquerda. Existe reflexão e consciência.

Até 2016, conforme o próprio Eduardo Moreira, ele era contra o Lula. Por que agora devemos crer que um membro da elite aristocrática tradicional do RJ, branco e que sempre viveu no mundo dos privilégios, é de esquerda e não podemos pensar na possibilidade do jovem de classe média, que ficou rico como influenciador digital, mas sempre teve origem média, ter conseguido sozinho, refletir a mesma coisa?

Por que ele defende o capitalismo? Eu nunca vi o Eduardo Moreira defender o comunismo ou o socialismo.

Nós somos hostis. A esquerda é hostil porque se pensarmos que a esquerda se origina dos explorados para defenderem sua dignidade humana, quando alcançamos esse patamar de reflexão, ficamos radicais e irredutíveis quando alguém do “eles” diz querer ser “nós”. Nunca serão.

Assim como um branco, por mais empatia que tenha, jamais poderá sentir a dor de ser negro ou indígena segregado. Assim como um homem jamais poderá sentir a dor de ser mulher em um mundo machista. Mas quando acenam e pedem para serem ouvidos, estando dispostos a reconhecerem que estavam errados, nosso papel de esquerda, sobretudo a esquerda intelectual, que manja dos paranauês filosóficos e sociológicos no campo da teoria e da pesquisa, precisamos nos libertar das amarras e ouvir, discutir e, sobretudo, nos auto avaliar.

Felipe Neto não é um deus, não é um santo, não é um herói, mas lembro agora, embora não sendo cristão, que Jesus juntou aos seus, pessoas ricas e pobres, ou seja, “nós” e “eles”, entre todos que buscavam mudar o mundo. Se demos chance ao Eduardo, demos também a Felipe Neto. A poucos anos atrás desejávamos a até a forca ao Reinaldo Azevedo e hoje o ouvimos.

Pensamos em trucidar o Alexandre Frota, e agora rimos e refletimos com ele nas lives do DCM. Não há inimigos quando reconhecem seus erros e estão dispostos, em seu tempo, a repará-los de alguma forma. E as vezes e preciso sim, sofrer, ver para crer, remediar, para aprender.

Não esqueçamos que nós, na esquerda, somos também, muito preconceituosos, racistas, homofóbicos, machistas, e cometemos o mesmo erro de relativizar, ao nosso estilo. Discordo da ideia de ser rígido, fechado.

Temos que ser abertos ao debate porque é isso que é democracia. E a democracia da esquerda precisa sim, olhar criticamente mas sempre com a intenção de somar com grandeza para o bem de todos, não importa que seja Felipe Neto, Eduardo Moreira ou a dona da Magazine Luiza.

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