Fernanda Lima se despede do pai morto: “Provou ter fôlego de atleta e lutou bravamente contra a covid”

Fernanda Lima e o pai, Cleomar

Pelo Instagram, a atriz Fernanda Lima se despediu do pai, Cleomar Lima, que lutava contra a Covid-19 há quatro meses.

Leia o texto:

“Descansa pai.

Paizinho, a primeira foto que escolhi para te homenagear foi essa, pq ela sempre me impressionou pela tua garra nesse salto. Com o tempo eu fui enxergando outras virtudes: a força, a coragem, a determinação, a perseverança e a tua disciplina contida na mesma imagem. Tu foi assim no nosso cotidiano. Nesse jogo de basquete tu tinha 19 anos. Estava na batalha para vencer na vida e sair da pobreza que te acompanhou desde a Lapa no RJ de 1936, quando tu nasceu. Felizmente o basquete te salvou. Te levou pro mundo e finalmente pra Porto Alegre onde tu conheceu a mãe e onde minha história de fato começa. O basquete ficou pra trás e tua luta te levou à faculdade de Contabilidade e depois a de Direito. Acabo de saber por uma tia querida que tu levava a máquina de datilografia para a beira da praia e trabalhava enquanto todos se divertiam. Tudo pra nos dar uma vida com mais conforto. De alguma maneira essa foto me acompanhou e me deu força até o dia de hoje, quando tu resolveu descansar. Ela seguirá me guiando até o meu fim. Nesses quase 120 dias internado, tu provou mesmo ter fôlego de atleta. Lutou bravamente contra a Covid e depois contra todas as consequências da doença. Foi cruel não poder estar ao teu lado durante o processo todo. A única vez que consegui deixar minha bebê para pegar um avião e ir te visitar, tu já não estava mais na UTI. Fiquei abraçada em ti ouvindo essa musica do Cartola que tu tanto adorava. Eu chorava vendo teu olhar vago e observava tuas lágrimas escorrerem também. Espero que tenhas ouvido tudo que falei no teu ouvido. Hoje será uma despedida íntima, mas prometo que assim que essa pandemia der uma trégua e as pessoas puderem voltar a se abraçar, eu farei um encontro muito lindo, com todos os teus amigos e familiares, pra gente rir bem alto de braços abertos, que nem tu. Sim, por que a tua felicidade não cabia num sorriso. O seu corpo inteiro vibrava de alegria. Braços pra cima, abertos e balançando de euforia. Sempre. Com todos. 

Obrigada pelo amor e pela presença intensa que tu dedicou a mim e aos meus irmãos e depois à família que eu construí. Principalmente o carinho que dedicou ao Rodrigo, o Pezão. O amor de vocês era algo para além dessa existência. Foi certamente um encontro de pai e filho. Eu achava lindo ver vocês juntos, as semelhanças e o comportamento bagunceiro dos dois. Teus netos tem orgulho de ti e estão sentindo essa grande perda, mas sabem que tu precisava descansar. Quanto a Maria, tua netinha tão aguardada, ela vai saber direitinho quem tu era. Eu terei muitas histórias pra contar do vovô careca. Ela vai rir muito. Meu grande lamento é vocês terem se visto apenas uma vez desde que ela nasceu. Tô aqui procurando a foto da ligação de vídeo que fizemos pra te contar que eu tava grávida dela. A gente tava precisando desse refresco depois de tudo que sofri em 2018. Foi um ano doído pra mim e sei que tu sofreu junto, mesmo calado. Tu sempre foi o meu maior fã confesso.

Agradeço cada recado que recebi de todos os cantos do Brasil, de pessoas que me conhecem pela televisão e me apoiaram como se fossem da minha família.

Obrigada mesmo.

Hoje ainda estava escuro quando peguei a estrada para chegar até Porto Alegre. O dia foi amanhecendo e em cada risco de sol, em cada montanha, em cada cerejeira, em cada nuvem ou em cada pedra eu te senti.

E assim será…

Descansa paizinho.

Ps: Mãe, todos os elogios que fiz ao pai se entendem a ti. Se eu for 10% pros meus filhos do que vocês dois foram pra nós, minha missão nesse mundo estará cumprida.”

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Descansa pai. Paizinho, a primeira foto que escolhi para te homenagear foi essa, pq ela sempre me impressionou pela tua garra nesse salto. Com o tempo eu fui enxergando outras virtudes: a força, a coragem, a determinação, a perseverança e a tua disciplina contida na mesma imagem. Tu foi assim no nosso cotidiano. Nesse jogo de basquete tu tinha 19 anos. Estava na batalha para vencer na vida e sair da pobreza que te acompanhou desde a Lapa no RJ de 1936, quando tu nasceu. Felizmente o basquete te salvou. Te levou pro mundo e finalmente pra Porto Alegre onde tu conheceu a mãe e onde minha história de fato começa. O basquete ficou pra trás e tua luta te levou à faculdade de Contabilidade e depois a de Direito. Acabo de saber por uma tia querida que tu levava a máquina de datilografia para a beira da praia e trabalhava enquanto todos se divertiam. Tudo pra nos dar uma vida com mais conforto. De alguma maneira essa foto me acompanhou e me deu força até o dia de hoje, quando tu resolveu descansar. Ela seguirá me guiando até o meu fim. Nesses quase 120 dias internado, tu provou mesmo ter fôlego de atleta. Lutou bravamente contra a Covid e depois contra todas as consequências da doença. Foi cruel não poder estar ao teu lado durante o processo todo. A única vez que consegui deixar minha bebê para pegar um avião e ir te visitar, tu já não estava mais na UTI. Fiquei abraçada em ti ouvindo essa musica do Cartola que tu tanto adorava. Eu chorava vendo teu olhar vago e observava tuas lágrimas escorrerem também. Espero que tenhas ouvido tudo que falei no teu ouvido. Hoje será uma despedida íntima, mas prometo que assim que essa pandemia der uma trégua e as pessoas puderem voltar a se abraçar, eu farei um encontro muito lindo, com todos os teus amigos e familiares, pra gente rir bem alto de braços abertos, que nem tu. Sim, por que a tua felicidade não cabia num sorriso. O seu corpo inteiro vibrava de alegria. Braços pra cima, abertos e balançando de euforia. Sempre. Com todos. [Continua nos comentários]

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