Fernanda Montenegro fez seu pior papel no prêmio Mario Lago

Fernanda Montenegro e um papagaio de pirata no prêmio Mario Lago
Fernanda Montenegro e um papagaio de pirata no prêmio Mario Lago

Fernanda Montenegro matou Patrícia Poeta em vida. Ou, como Stálin fez com Trotsky, tirou-a das fotos.

Num vídeo de bastidor feito logo depois da premiação de Bonner no Faustão, ela disse que a coisa mais importante do jornalismo brasileiro, nestas eleições, foram as entrevistas de Bonner, “este ícone”, com os candidatos.

Ela estava ao lado de Bonner no vídeo, e ambos foram entrevistados por alguém da própria Globo logo depois de deixarem o palco do Faustão.

Você pode ter gostado ou não das entrevistas. Pode ter achado o maior triunfo do jornalismo nacional ou a coisa mais estúpida que se viu em 2014.

Só não pode ignorar que Patrícia Poeta também participou de todas as entrevistas. Vi todas. Ela não foi nem melhor e nem pior que Bonner. Pareciam, para o bem ou para o mal, Bonnie e Clyde, ou numa visão mais sarcástica a versão sem risos de Debi e Loide.

Nas redes sociais, vi muita gente criticando Fernanda Montenegro pelo papel dela na premiação de Bonner.

Sites de tevê estão reproduzindo uma informação segundo a qual toda a alegria dela no programa contrastava com a insatisfação por não estar recebendo nada pela reprise, num canal da Globo, de uma novela da qual participou.

Outros atores, dizem os sites, estão processando a Globo por não estarem recebendo direitos autorais.

Uma das razões pelas quais a Globo é tão grande é que ela faz este tipo de coisa. Procura levar vantagem em tudo.

A preocupação com as pessoas é mínima.

Não fosse isso, Patrícia Poeta teria dividido o prêmio com Bonner. Não importa que ela tenha sido afastada do Jornal Nacional pouco depois das entrevistas, por razões desconhecidas.

Foi um trabalho de dois, e não de um, como todos lembram.

O descaso da empresa com as pessoas acaba contaminando muitos funcionários. Isso ficou claro no vídeo de bastidor em que Fernanda Montenegro fala do prêmio.

No palco, ela pode alegar que falou o que o roteiro determinou que falasse. Foi “burra”, atributo que Nelson Rodrigues apreciava nos atores de suas peças. A burrice evitava que eles sucumbissem à tentação de melhorar, aspas, os textos dele.

Mas no vídeo subsequente, sem as amarras do roteiro fixado para ela, Fernanda Montenegro deveria ter citado Patrícia Poeta ao falar das entrevistas.

A única desculpa aceitável para a omissão é não tê-las visto.

Seja como for, numa prova de quanto é efêmera a glória, Patrícia Poeta começou 2014 sob os holofotes e termina simbolicamente assassinada pela grande dama do teatro nacional.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!