Fernández inicia reforma do Judiciário, poder que foi tomado pela direita. Por Moisés Mendes

Alberto Fernández, o presidente da Argentina

Cristina Kirchner só não foi encarcerada preventivamente na Argentina durante o governo de Mauricio Macri porque tinha mandato de senadora. Se não tivesse imunidade, aconteceria com ela o que aconteceu com Lula.

O Judiciário faz lá o que a Lava-Jato fez aqui com a perseguição implacável e rápida a Lula e ao PT e a subserviência lerda aos tucanos corruptos.

Há décadas, a Justiça enquadra as esquerdas na Argentina, e ultimamente persegue o peronismo-kirchnertista.

Macri tem o controle de parte da estrutura do Judiciário federal, como Bolsonaro pretende ter aqui.

Pois o Congresso deles tenta agora desestruturar esse sistema viciado com a reforma do Judiciário proposta por Alberto Fernández e aprovada na quinta-feira pelo Senado. O projeto vai agora para avaliação da Câmara.

É uma tentativa de Fernández, prevista em seu programa eleitoral, de renovar o Judiciário. A Suprema Corte e as unidades regionais da Justiça Federal terão mais integrantes e serão menos concentradas.

A reforma foi preparada por uma equipe de juristas. Vai abalar o poder de magistrados que a esquerda acusa de decidir sempre a favor do poder econômico e da direita.

Claro que o macrismo e a direita tradicional, que caminha na Argentina para a extrema direita, não querem saber da reforma. Juízes que atuam hegemonicamente terão o poder abalado com a possibilidade de descentralização de decisões.

A principal controvérsia é levantada pela oposição, segundo a qual a reforma busca proteger Cristina, que enfrenta 10 processos por corrupção (três a mais do que os abertos contra Lula).

O kirchnerismo responde dizendo que nada do que mudar na estrutura do Judiciário mexe com processos contra a vice-presidente.

O interessante é que Fernández tenta revirar um esquema podre na Argentina, num momento em que no Brasil dois ‘baluartes’ da Justiça, com imagens construídas como juízes federais, são finalmente desmascarados.

Sergio Moro, o juiz que condenou Lula e outros petistas sem provas, e Wilson Witzel, o juiz eleito governador do Rio, agora denunciado como chefe de quadrilha, são exemplos das farsas dos justiceiros nacionais.

O projeto proposto por Fernández pode desmontar a Justiça que tralhava para Macri, enquanto aqui Bolsonaro tenta se apoderar do Judiciário que esteve nos últimos anos a serviço do PSDB e agregados.

A direita argentina enfrentou mais um incômodo. Cristina Kirchner presidiu a sessão do Senado que aprovou a reforma na quinta, na condição de vice-presidente.

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