Fernando Holiday usa funcionários de gabinete e do MamãeFalei em rap de campanha. Por Pedro Zambarda

“Um Vereas No Pedaço”, clipe de campanha de Fernando Holiday. Foto: Reprodução/YouTube

Eleito originalmente pelo DEM, Fernando Holiday resolveu fazer uma campanha diferente para tentar sua reeleição como vereador pelo Patriota em 2020. Anunciou no dia 19 de outubro que se tornaria um “cantor de rap” e lançaria uma música no dia seguinte pelo YouTube, às 18h30.

Disse que entraria na área cultural, que é “dominada pela esquerda”.

Um Vereas No Pedaço” estreou no YouTube nesta terça-feira (20) claramente inspirado na abertura do seriado “Fresh Prince Of Bel-Air” (Um Maluco no Pedaço) do ator Will Smith. O vídeo teve cerca de 30 mil visualizações e quis provocar claramente a esquerda e o movimento negro.

O rapper Emicida ficou revoltado com a ação de Holiday.

 “Uma pá de gente séria e talentosa, se mata de trabalhar e vocês num dão um RT (retuíte, divulgando no Twitter). Canalha mal intencionado usa a palavra rap, vocês colocam ele na timeline de todo mundo. Espero que vocês estejam se divertindo nesse passeio. Só não se esqueçam que chapéu de otário, é marreta”, disse.

Emicida tinha razão em reclamar da repercussão do clipe do vereador Fernando Holiday em campanha, mas os problemas vão além da publicidade do rap que faz paródia. O político utilizou assessores do seu gabinete e de um deputado ligado ao MBL na propaganda.

Tudo gravado no horário em que ele deveria estar trabalhando na Câmara Municipal.

Funcionários de Holiday e do MamãeFalei no clipe

Assessores de Fernando Holiday aparecem em Stories do Instagram na gravação do clipe “Um Vereas No Pedaço”. Foto: Reprodução/Instagram

Diferentes fontes entrarem em contato com o DCM dando informações sobre os bastidores da gravação do “Um Vereas No Pedaço”. Três assessores de Holiday participaram da produção e estão na lista de funcionários da Câmara Municipal de São Paulo.

São eles: Lucas Pavanato de Oliveira, Vitor Hugo Liasch Siqueira e Caue Del Valle de Araujo – este último, conhecido dos eventos do MBL. 

Lucas é assessor de gabinete e recebe R$ 4,8 mil de salário. Vitor Hugo é assessor especial e ganha R$ 4 mil. Caue Del Valle é o chefe de gabinete de Holiday e recebe R$ 19 mil.

Lucas Pavanato de Oliveira, assessor de Holiday, o 20º gabinete. Foto: Reprodução
Vitor Hugo Liasch Siqueira, assessor de Holiday. Foto: Reprodução
Caue Del Valle de Araujo, chefe de gabinete de Holiday. Foto: Reprodução

O próprio vereador recebe R$ 18 mil de salário e R$ 14 mil com os descontos. Os salários foram pagos para eles enquanto gravaram o rap de campanha.

E um quarto funcionário participou do clipe, mas não é do gabinete de Holiday.

Augusto “Guto” Zacarias Correa Leite, do gabinete do MamãeFalei, em clipe de Holiday. Foto: Reprodução

Trata-se de Augusto Zacarias Correa Leite, assistente parlamentar do deputado estadual Arthur MamãeFalei Moledo do Val, o candidato do Patriota ao cargo de prefeito de São Paulo. Ele recebe R$ 6,3 mil.

MamãeFalei batendo boca com a jornalista Vera Magalhães após sabatina do Estadão. Augusto “Guto” Zacarias Correa Leite é o assessor à direita. Foto: Reprodução/Twitter

De acordo com os registros em Stories do Instagram enviados ao DCM, a gravação do clipe de Holiday ocorreu às 15hrs, durante o horário que ele e seus assessores deveriam trabalhar para a Câmara Municipal de São Paulo.

Além de todos os possíveis desvios de função dos assessores de Fernando Holiday nessa campanha, o jornalista e humorista Ronald Rios levantou outro problema legal na paródia do rap com a trilha do seriado Um Maluco No Pedaço, do ator americano Will Smith.

Ronald escreveu no Twitter:

“Não entra na lei de paródia o que o Feriado fez. Usar o tema do Maluco no Pedaço pro jingle foi uma infração de direitos autorais. Espero que essa música tenha muitos views. Até os donos saberem pra que foi usada. Uso político não autorizado dá merda”.

Outro lado

O DCM procurou as assessorias do vereador Fernando Holiday e do deputado Arthur MamãeFalei. Perguntamos sobre cada um dos assessores identificados no clipe de rap e questionamos se eles receberam seus salários gravando um vídeo de campanha no horário de trabalho.

Até o momento da publicação deste texto, não foi encaminhada nenhuma resposta.

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