Ferramenta de Flávio Bolsonaro para mulheres copia nome de IA do STF

Atualizado em 18 de julho de 2026 às 17:58
Flávio Bolsonaro
Robô MarIA, ferramenta de inteligência artificial do STF lançada em dezembro de 2024. Foto: Fellipe Sampaio/STF

Flávio Bolsonaro apresentou uma assistente virtual voltada às mulheres com o mesmo nome de uma ferramenta de inteligência artificial criada pelo Supremo Tribunal Federal durante a presidência de Luís Roberto Barroso. Batizada de MarIA, a proposta integra o plano eleitoral “Brasil por Elas”, lançado pelo senador em sua pré-campanha à Presidência.

Segundo Flávio, a ferramenta deverá auxiliar mulheres a solicitar medidas protetivas, marcar mamografias, procurar apoio psicológico, abrir empresas, obter crédito, encontrar empregos e localizar vagas em creches. O projeto também prevê uma interface de voz para permitir o uso por quem tenha dificuldade de ler ou escrever.

“Tem muitas mulheres, gente, que não sabem escrever, que são analfabetas, semianalfabetas. Então, tem também a comunicação por voz”, afirmou o senador. Flávio disse que o nome reúne “Maria” e a sigla de inteligência artificial. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora do plano, acrescentou que “Maria é a mãe de todos”, enquanto o pré-candidato completou: “Mãe de todos, padroeira do Brasil”.

O vídeo de apresentação mostra uma mulher pedindo ajuda após ser ameaçada pelo marido, outra solicitando orientação para abrir um microempreendimento individual e uma terceira procurando uma creche. A propaganda também simula a assistente informando que um exame de mamografia foi agendado. Flávio prometeu disponibilizar a plataforma a mais de 70 milhões de mulheres que teriam acesso garantido à internet.

A MarIA, versão lançada pelo STF em dezembro de 2024 como a primeira ferramenta de inteligência artificial generativa do tribunal foi criado para auxiliar ministros e servidores na elaboração e revisão de textos, produção de relatórios e análise de informações processuais. O Supremo não registrou comercialmente o nome por considerar a ferramenta um produto institucional, o que impede a caracterização de irregularidade na utilização da mesma denominação pela campanha.

A coincidência chamou a atenção de magistrados por envolver um pré-candidato que mantém uma campanha de ataques ao Supremo. Procurado pelo Estadão para explicar se a escolha do nome foi deliberada, Flávio não havia respondido até a publicação da reportagem.

A iniciativa de Flávio Bolsonaro foi divulgada como parte de sua estratégia para se apresentar como pré-candidato à Presidência pelo PL, com foco em serviços digitais voltados a mulheres.

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