Festa como a que Michelle Bolsonaro deu no Alvorada para o melhor amigo rendeu condenações no governo Collor

Bolsonaro com Agustin e Michelle na festa do maquiador no Alvorada (Fotos arquivo pessoal)

Michelle Bolsonaro e o marido Jair reuniram amigos numa festa para o maquiador Agustin Fernandez, melhor amigo da primeira-dama.

Foi na sexta, dia 21, quando o Brasil bateu 113 mil mortos de covid-19 nas contas oficiais, mas ninguém estava preocupado com isso.

Por que deveriam? 

Tampouco usavam máscara.

Se Michelle Bolsonaro não respeita a morte recente da própria avó com coronavírus, não iria ligar para a tragédia de desconhecidos.

Num vídeo produzido especialmente para a ocasião (assista abaixo), Damares apareceu com cocar e Agustin foi transformado em Alladin numa animação.

Foi um presente dela. Quem pagou? O Queiroz?

Os docinhos tinham o logo da Louis Vuitton — de novo: quem pagou?

O cinema do Alvorada foi usado para exibir a homenagem de Michelle ao colega, preparada ao longo de dias.

Eduardo Bolsonaro deu as caras, acompanhado de sua senhora, Heloísa.

Agustin faz questão de ostentar a relação com Michelle e Jair Bolsonaro em suas redes sociais. Além do deslumbre idiota, é bom para os negócios.

Para o presidente, Agustin serve de álibi contra as acusações de homofobia.

Quem bancou o convescote? 

Ainda que, digamos, os salgadinhos tenham sido cortesia, há o custo dos empregados do Alvorada e da estrutura.

Em 1992, Rosane, então mulher de Fernando Collor, foi indiciada pela Polícia Federal por crime de peculato.

Acabou enquadrada no artigo 312 do Código Penal por desviar recursos públicos para comemorar o aniversário de sua amiga e assessora, Eunícia Guimarães, nos jardins do Palácio da Alvorada.

No relatório conclusivo das investigações, o delegado ressaltou os depoimentos de representantes das empresas que forneceram a decoração e o bufê em julho de 1991.

Cerca de 100 mulheres da sociedade cantaram o “Parabéns para você” acompanhadas por uma cantora e um pianista contratados pelo erário.

Rosane, Eunícia e o secretário geral Sérgio Palazzo, responsável por autorizar as despesas, foram condenados pela Justiça Federal a devolver a grana aos cofres públicos.

Um detalhe: em 1999, o marido de Eunícia, José Carlos Batista Guimarães, ex-diretor da Caixa Econômica, foi encontrado morto no fundo da piscina de sua residência.

Supostamente, se suicidou.

 

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