FGC começa a pagar investidores do Master neste sábado (17); veja como

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 12:09
Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou, neste sábado (17), o pagamento da garantia aos investidores do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado. A partir de agora, clientes que tinham recursos em conta corrente ou aplicações como CDBs podem solicitar o resgate dos valores cobertos pelo fundo, respeitado o limite legal de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

O pagamento começa após um intervalo de 60 dias desde a decretação da liquidação da instituição, em 18 de novembro de 2025. De acordo com pessoas envolvidas no processo, o prazo foi maior do que o habitual devido à dimensão inédita da operação. Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do Fundo Garantidor de Créditos, Daniel Lima, afirmou que o volume de recursos e de beneficiários exigiu um esforço operacional excepcional.

Segundo o FGC, serão pagos R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores, no maior resgate já realizado pela entidade. Inicialmente, estimava-se que o número de clientes afetados poderia chegar a 1,6 milhão.

“A equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível”, disse Lima em entrevista à Folha. Ele também alertou os investidores para tentativas de golpes durante o processo de liberação dos valores.

A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central do Brasil, que apontou uma “grave crise de liquidez” e “graves violações às normas” que regem as instituições do Sistema Financeiro Nacional. Investigações em andamento indicam que o banco, controlado por Daniel Vorcaro, teria se beneficiado de operações financeiras simuladas, uso de laranjas e atribuição artificial de preços a ativos sem liquidez.

Vorcaro chegou a ser preso ao tentar deixar o país em um jato particular, mas foi solto dias depois mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Apesar do volume expressivo do desembolso, especialistas avaliam que o caso não representa risco sistêmico. O FGC possui cerca de R$ 125 bilhões em caixa, valor suficiente para absorver o impacto. Até então, o maior pagamento da história do fundo havia ocorrido na quebra do Bamerindus, em 1997, que resultou em cerca de R$ 20 bilhões em valores atualizados.

Durante os dois meses de espera, muitos investidores acabaram sofrendo perdas. Com a liquidação da instituição, as aplicações ficaram congeladas, e o valor a ser ressarcido corresponde ao saldo existente em 18 de novembro de 2025, sem correção pela inflação ou pela taxa Selic. O FGC informa que o montante pago inclui os rendimentos da aplicação até a data da liquidação, conforme a contabilidade do banco, sempre dentro do teto de R$ 250 mil.

Após a assinatura do termo de solicitação, a liberação dos recursos deve ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados cadastrais estejam corretos. Estão cobertos pela garantia depósitos à vista, poupança, CDBs e RDBs, letras de câmbio, letras hipotecárias, LCI, LCA, LCD, além de operações compromissadas lastreadas em títulos emitidos após março de 2012 por empresas ligadas.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.