FHC não influencia nem o PSDB, mas Folha ainda o trata como estadista. Por Luís Felipe Miguel

Fernando Henrique Cardoso, the 34th President of Brazil, poses at Instituto Fernando Henrique Cardoso in Sao Paulo, Brazil on March 19, 2012 (AFP Photo/Yasuoshi Chiba)

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK DO AUTOR

De tempos em tempos, acompanhando a translação de não sei qual astro, aparece a fatídica entrevista de Fernando Henrique Cardoso na imprensa local paulistana.

O homem que presidiu um dos governos mais corruptos da história do Brasil, também um dos mais lesivos ao povo e à nação, veste então a fantasia do sábio estadista macróbio – isso, sim, é apropriação cultural! E daí empresta sua autoridade de ex-sociólogo para repetir os clichês mais batidos do senso comum conservador que essa mesma imprensa produz e dissemina.

Nessa circularidade, claro, reside o segredo do seu sucesso.

Na Folha de hoje, ficamos sabendo, pela boca de FHC, que a “polarização” é um “risco” para o “jogo democrático”; que a ofensa de Bolsonaro à repórter Patrícia Campos Mello “é inaceitável”, mas não há “risco institucional”, embora a democracia seja “uma planta tenra” e portanto “o alerta tem de ser dado”, mas “sem alarmismo”; que “tem limite para tudo” e portanto “tem de haver um certo equilíbrio”, pois, caso rompido, “as prejudicadas são as Forças Armadas”, já que “você não pode confundi-las com o poder político”. E assim por diante.

O momento cômico da entrevista ocorre quando FHC fala da necessidade de renovação da liderança do “centro” político, dá a entender que Doria, Huck e Leite ainda não estão prontos e solta essa: “Eu vou fazer 90 anos no ano que vem, é preciso passar o bastão”.

Que bastão? Que liderança ele acha que ainda exerce? Pode desfilar à vontade nas páginas dos jornais de São Paulo, mas o fato é que não tem grande peso nem no seu próprio partido…

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