FHC, Tasso e Arthur Virgílio se articulam para evitar o “enterro de segunda classe” do PSDB. Por José Cassio

Um grupo liderado por Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quer “refundar” o PSDB a partir dos cacos que vão restar desse primeiro turno.

Se a iniciativa naufragar, não está descartada a criação de uma nova sigla, com os mesmos princípios da social democracia, atraindo nomes como Marina Silva, Miro Teixeira, Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon.

Não haverá espaço, segundo os cardeais tucanos, para adesistas de ocasião como Cássio Cunha Lima, que busca a reeleição ao senado pela Paraíba, Antonio Anastasia e João Doria, candidatos, respectivamente, aos governos de Minas e São Paulo – os três se jogaram no colo do presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro.

“A sorte de Mário Covas é que ele não está mais aqui para ver no que se transformou o partido que ele idealizou com Franco Montoro”, afirmou Arthur Virgílio na tarde desta quarta-feira, dia 3. “O partido que surgiu perto do povo e longe das benesses do poder se entregou ao fisiologismo mais rasteiro”.

O prefeito de Manaus negou-se a receber Geraldo em sua cidade neste primeiro por divergências com o presidenciável tucano.

Pergunto se há espaço para Aécio Neves e Geraldo nesta nova formatação.

Quanto ao mineiro, é categórico: não.

“Desde o início advoguei que ele tinha de sair do partido para se defender das acusações por corrupção e obstrução da Justiça”.

Em relação a Alckmin, sugere que o ex-governador de São Paulo busque uma imersão para se reciclar.

“O partido acabou virando vítima da ambição dele”, diz. “Não dá mais para projetar a estratégia a partir da tia que um dia disse que você ainda seria presidente da república”.

Geraldo, segundo Arthur Virgílio se juntou ao que temos de mais nefasto imaginando que tinha descoberto o mapa da mina.

“Ao se juntar com o Centrão, ele se enganou e acabou arrastando o partido para a irrelevância”.

As articulações com Tasso Jereissati, com consentimento de FHC, definem que o grupo vai travar uma batalha interna com a proposta de mudar tudo. Não haverá espaço para o que classificam de “salve-se quem puder” em que a sigla se meteu.

“Perder faz parte do jogo, o que não pode é se entregar à ‘pepenização’”, diz, em alusão ao fisiologismo do PP, a sigla que integra, entre outros notáveis, Paulo Maluf.

Segundo o prefeito de Manaus, a atitude de Cunha Lima, Anastasia e João Doria, de aderir a Bolsonaro já prevendo o loteamento de um futuro governo é inaceitável.

“Ou vencemos a batalha interna e reinventamos o partido ou não haverá saída senão a criação de uma nova sigla”.

O que Virgílio, Tasso e FHC dizem que não aceitam é assistir omissos ao “iminente enterro de segunda classe” do partido.

Num eventual segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad, Virgilio não deve acompanhar Fernando Henrique, que já sinalizou apoio ao petista.

“Não vou com nenhum dois dois”, disse. “Bolsonaro é o que sabemos. O Haddad é uma boa pessoa, mas representa um projeto que sempre combatemos e não faz sentido apoiar neste momento”.

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