Diretor é demitido da Fifa após detonar Infantino por esquema com Trump

Atualizado em 18 de agosto de 2026 às 8:16
Kevin Lamour e Gianni Infantino. Foto: reprodução

A Fifa afastou Kevin Lamour da direção de operações depois de o dirigente criticar publicamente o presidente Gianni Infantino pela condução do plano de venda da Copa do Mundo e de outras competições. A entidade confirmou que Lamour deixou o cargo no domingo (17).

Em julho, Lamour afirmou que funcionários da Fifa haviam sido “enganados” pela falta de transparência de Infantino nos meses de planejamento da operação. Ele também disse que os empregados “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.

O plano da Fifa para vender uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados colocou Infantino sob pressão e levantou questionamentos sobre seus vínculos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A operação previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) e pode movimentar cerca de US$ 20 bilhões, o equivalente a R$ 102 bilhões.

Infantino indicou que o fundo Thrive Eternal faria a comercialização dos direitos caso as federações aprovem a nova subsidiária. Joshua Kushner controla o fundo e é irmão de Jared Kushner, genro de Trump e enviado especial para a paz de seu governo.

A proposta enfrentou rejeição pública e desencadeou uma reação da Uefa, entidade que comanda o futebol europeu. As 55 federações nacionais que integram a organização decidiram boicotar competições da Fifa até que a ideia seja abandonada, o que atingiria torneios como a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Um porta-voz da Fifa informou à Sky News que a entidade agradeceu a Lamour pelos dois anos de trabalho e desejou “muita sorte no futuro”.

Mattias Grafstrom, secretário-geral da Fifa, escreveu aos vice-presidentes e integrantes do conselho da entidade que as partes decidiram encerrar a relação após discussões recentes.

Gianni Infantino e Donald Trump na Casa Branca. Foto: reprodução

Fifa diz que saída ocorreu por acordo entre as partes

Na carta, Grafstrom declarou que a decisão resultou de “cuidadosa consideração” e ocorreu com “grande respeito” por Lamour, nos planos pessoal e profissional.

A saída do diretor ocorreu após uma crise interna ligada ao plano de comercialização das principais competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

As críticas de Lamour vieram horas depois de Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, pedir demissão e incentivar outros funcionários de alto escalão da Fifa a se manifestarem.

Ao explicar por que não deixaria o cargo naquele momento, Lamour disse que falava por dever aos colegas: “se isso significar perder meu emprego, que assim seja”. Ele acrescentou: “Pelo menos vou dormir bem esta noite”.

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