Fifa avalia investigação contra árbitro por gesto supremacista na Copa

Atualizado em 15 de junho de 2026 às 12:43
Árbitro Shaun Evans em cabine do VAR. Reprodução/Cazé TV

A Fifa analisa desde domingo (14) o caso envolvendo o árbitro australiano Shaun Evans, integrante da equipe do VAR na partida entre Alemanha e Curaçao, pela Copa do Mundo de 2026. Segundo o UOL, a entidade avalia a abertura de um processo disciplinar após a repercussão de um gesto feito pelo oficial antes do início do jogo.

O episódio ocorreu durante a apresentação da equipe de arbitragem. Nas imagens da transmissão, Evans aparece fazendo um sinal com a mão semelhante ao gesto de “OK”, o que levou torcedores a associarem o movimento a símbolos utilizados por grupos supremacistas.

A interpretação decorre do fato de que, em determinados contextos, o gesto passou a ser relacionado à expressão “white power” (“poder branco”). Nessa leitura, os três dedos estendidos formariam a letra “W”, enquanto o círculo criado pelos dedos representaria a letra “P”.

O gesto ganhou visibilidade internacional a partir de 2017, após campanhas coordenadas pela extrema-direita nas redes. A Anti-Defamation League (ADL), entidade dos Estados Unidos que monitora crimes de ódio, afirma que o símbolo não necessariamente possui conotação supremacista e frequentemente é utilizado apenas como sinal de aprovação.

Até o momento, a Fifa não anunciou oficialmente qualquer punição nem divulgou conclusões sobre a análise do caso envolvendo o árbitro australiano.

O protocolo de apresentação da arbitragem mudou nos jogos seguintes da Copa. Nas partidas entre Holanda e Japão e entre Costa do Marfim e Equador, os integrantes do VAR apareceram posicionados de frente para os monitores, sem realizar movimentos durante a transmissão.

Gesto semelhante também é utilizado por atletas em diferentes esportes. O atacante alemão Jamal Musiala, por exemplo, costuma comemorar gols dessa forma e já explicou que a referência vem de Carmelo Anthony, um dos principais nomes da história do basquete americano.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.