
A FIFA mantém há cerca de um ano um escritório alugado no 17º andar da Trump Tower, em Nova York, mas o espaço permanece praticamente vazio, segundo reportagem do The New York Times. O aluguel, porém, beneficia diretamente a empresa da família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com a publicação, a decisão de instalar o escritório no edifício foi tomada pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que transformou a aproximação com Trump em uma de suas principais prioridades políticas às vésperas da Copa do Mundo de 2026.
Embora o espaço alugado seja pouco utilizado, sua localização na Trump Tower é um símbolo da relação cada vez mais estreita entre Infantino e Trump.
Nos últimos anos, o dirigente do futebol mundial multiplicou gestos de deferência ao presidente americano, oferecendo troféus, medalhas e elogios públicos.
Segundo o New York Times, Infantino também visitou frequentemente propriedades ligadas a Trump, incluindo Mar-a-Lago, o campo de golfe Trump National Doral e até mesmo a estreia do documentário sobre Melania Trump.
Aliados do presidente da FIFA afirmam que a estratégia tem um objetivo claro: garantir que a Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, transcorra sem interferências da Casa Branca. A avaliação é que Trump possui poder para criar obstáculos políticos e administrativos ao torneio, tornando essencial manter uma relação próxima com o presidente.

“Ele é bastante direto sobre o que é necessário para administrar essa relação”, afirmou Majed Al Sahib, dirigente do futebol saudita ouvido pelo jornal. Segundo ele, Infantino estaria apenas adotando uma postura pragmática.
A FIFA também busca ampliar sua presença nos Estados Unidos, o maior mercado consumidor do planeta, além de tentar deixar para trás a imagem de corrupção e excessos que marcou a entidade após os escândalos que levaram a investigações e prisões promovidas pelo Departamento de Justiça americano.
A reportagem destaca ainda que Infantino não conseguiu construir uma relação próxima com o governo de Joe Biden, mas encontrou em Trump um aliado receptivo. O presidente americano costuma se referir ao dirigente suíço como “o rei do futebol”.
O contraste é marcante. Há uma década, executivos da FIFA temiam viajar aos Estados Unidos devido às investigações que atingiram a cúpula da entidade. Agora, segundo o New York Times, Infantino tornou-se presença frequente na Casa Branca e no Salão Oval.