Fifa pagará cerca de R$ 22 milhões em impostos de Infantino nos EUA

Atualizado em 3 de novembro de 2026 às 13:25
Gianni Infantino acena enquanto sobe uma escada rolante
Donald Trump e Gianni Infantino. Foto: Reprodução

A Fifa assumiu o pagamento integral dos impostos de renda de Gianni Infantino nos Estados Unidos, um custo estimado em US$ 4 milhões (cerca de R$ 21,8 milhões) até o fim de sua missão em Miami ligada à Copa do Mundo de 2026. A decisão partiu de um comitê de remuneração da entidade em maio de 2024, em Bancoc, segundo o New York Times.

O presidente da Fifa deixou a Suíça e se mudou para Miami em 2023, passando a enfrentar uma carga tributária maior. Bruno Chiomento, integrante suíço do comitê que define a remuneração dos principais dirigentes, propôs que a organização cobrisse 100% desses impostos, e os outros dois membros concordaram sem discussão, conforme os documentos.

O benefício não apareceu nos documentos oficiais de remuneração da Fifa, embora as reformas adotadas pela entidade depois do escândalo de corrupção de 2015 tenham criado regras de transparência sobre os pagamentos a dirigentes. O salário anual de Infantino é de aproximadamente US$ 6 milhões, o equivalente a R$ 32,7 milhões, de acordo com o relatório anual da organização.

Em nota, a Fifa afirmou que cumpriu “todos os regulamentos e processos internos” e as leis aplicáveis. A entidade declarou ainda que os pagamentos à alta administração passam por auditoria independente, mas não detalhou o acordo tributário firmado com seu presidente.

Assessoria de advogado de Infantino gerou questionamentos internos

Placa iluminada da Fifa diante de árvore ao anoitecer
Gianni Infantino. Foto: Reprodução

Chiomento, ex-presidente da unidade suíça da Ernst & Young e chefe de governança, conformidade e auditoria da Fifa, recebeu orientação de especialistas externos ao tratar do tema. Entre eles estava David Zollinger, advogado pessoal de Infantino, cuja participação levantou preocupações internas sobre possível conflito de interesses.

A Fifa não explicou por que pessoas ligadas a Infantino prestaram assessoria sobre os assuntos tributários pessoais do dirigente. Chiomento não respondeu aos pedidos de comentário, enquanto Zollinger alegou sigilo entre advogado e cliente para não se manifestar.

Na reunião de 2024, Chiomento argumentou que a Fifa já havia concordado em compensar impostos adicionais de cerca de uma dúzia de funcionários transferidos aos Estados Unidos para preparar a Copa de 2026. Integrantes da cúpula da entidade questionaram tanto o cálculo que isentou Infantino de qualquer desembolso quanto os privilégios reservados à direção.

Os documentos também relatam que a Fifa pagava cerca de US$ 600 mil por ano, aproximadamente R$ 3,3 milhões, pelo aluguel de uma residência para Infantino em Miami, além de um apartamento na Suíça. Antes, a entidade também alugou um imóvel para ele em Paris.

Uma política de remuneração aprovada pouco antes da Copa ampliou benefícios de moradia, flexibilizou regras para presentes e convites VIP e deu mais liberdade para o uso de jatos particulares. O texto passou a permitir que Infantino solicitasse hospedagem custeada pela Fifa em qualquer cidade onde a organização mantenha escritório.

O presidente da Fifa concorrerá à reeleição em março, após enfrentar críticas por negociações sobre direitos comerciais da Copa do Mundo e por sua aproximação com Donald Trump.

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