Filha de David Bowie diz que teve internação forçada enquanto o pai lutava contra o câncer

Atualizado em 24 de fevereiro de 2026 às 9:57
Bowie com a filha Lexi Jones

Alexandria “Lexi” Jones, filha de David Bowie e da supermodelo Iman, trouxe à tona detalhes sobre sua experiência com a internação forçada durante a batalha de seu pai contra o câncer. Aos 25 anos, Lexi compartilhou, em um vídeo no Instagram, como sua família tomou a difícil decisão de enviá-la para diversos centros de tratamento, enquanto ela enfrentava uma depressão profunda e lutava contra um distúrbio alimentar.

Tudo isso aconteceu enquanto seu pai, diagnosticado com câncer no fígado em 2014, enfrentava seus últimos anos de vida. Lexi, aos 14 anos, contou que não conseguiu lidar com a perda iminente e acabou se afundando em bebidas e drogas como forma de fuga.

David Bowie morreu em janeiro de 2016, apenas dois dias após o lançamento de seu último álbum, “Blackstar”. Esse momento marcou profundamente a vida de Lexi, que não pôde estar ao lado de seu pai nos seus momentos finais. Ela revelou como, aos 14 anos, dois homens de mais de 1,80m apareceram em sua casa e a levaram para um centro de tratamento.

Lexi descreveu o momento como profundamente traumático, pois resistiu fisicamente à força de ser retirada, gritando e pedindo por ajuda, mas ninguém a socorreu.

A experiência de ser retirada de sua vida familiar e forçada a viver em condições extremas foi devastadora. Lexi foi enviada para um programa de “terapia ao ar livre”, também conhecido como tratamento de saúde comportamental, que ocorre em condições de inverno rigoroso, sem privacidade e com banhos semanais.

Ela relembra como, mesmo sem entender o que estava acontecendo, foi forçada a contar em voz alta toda vez que usava o banheiro, um controle excessivo que a marcou profundamente. “Eles me revistavam nua e me davam roupas. Eu nunca tinha ouvido falar de terapia ao ar livre. Eu era uma garota da cidade”, disse ela.

Após 91 dias, Lexi foi encaminhada a um centro residencial em Utah, onde permaneceu por 13 meses. Lá, ela era vigiada até enquanto dormia, algo que considera como uma violação da sua privacidade. Foi nesse centro que ela soube da morte de seu pai, David Bowie: “Eu tive o luxo de falar com ele dois dias antes, no seu aniversário. Eu disse que o amava, e ele disse de volta. E então, vi a postagem que dizia que David Bowie faleceu, rodeado por sua família… exceto por mim.”

Esse momento de grande dor fez Lexi confrontar a maneira como estava lidando com o luto. Em uma estrutura altamente controlada, ela foi forçada a processar seu luto de uma maneira sistematizada, com o que foi chamado de “Fase de Luto e Perda”, onde seu sofrimento era organizado e categorizado. Na época, Lexi não sabia o que significava perder alguém tão próximo e não questionou a estrutura, acreditando que aquilo era o certo.

Após sua volta para casa, pouco antes de completar 16 anos, Lexi confessou que se viu voltando aos velhos padrões de comportamento autodestrutivos. Enviada novamente para um programa de reabilitação, ela começou a questionar a repetição desses ciclos. “Essa repetição de ser enviada embora fez com que tudo começasse a se misturar. A dor de estar longe da minha vida, das minhas pessoas, de mim mesma, me fez sentir como se eu fosse um problema que estava sendo empurrado para longe”, refletiu.

Hoje, Lexi reconhece que aquelas experiências, embora profundamente dolorosas, a ajudaram a se tornar quem ela é. “Eu fui forçada a olhar para dentro de mim antes de sequer ter a chance de olhar para fora. Tive que entender as emoções antes de entender álgebra. Eu tive que me tornar fluente na linguagem da cura antes de saber quem eu era”, disse. Apesar disso, as cicatrizes emocionais permanecem, como ela mesma afirmou: “Ainda me surpreendo às vezes quando as coisas parecem excessivamente controladas, e eu ainda sinto a necessidade de vasculhar a sala em busca de regras que não me disseram.”