Fim da escala 6×1: Dirceu detona proposta de “Bolsa Patrão” de Nikolas

Atualizado em 26 de abril de 2026 às 8:41
Ex-ministro de Lula e nome forte do PT, José Dirceu criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL)

José Dirceu criticou a proposta de Nikolas Ferreira de compensar empresas pelos custos com o fim da escala 6×1 e afirmou que a medida representa um favorecimento direto aos empregadores. Com informações do Metrópoles.

Segundo Dirceu, a ideia amplia a renúncia fiscal da União e ignora alternativas baseadas em produtividade, tecnologia e qualificação. Para ele, a proposta cria uma espécie de “Bolsa Patrão”, ao transferir recursos públicos para empresários sob o argumento de bancar a redução da jornada.

O petista afirmou que sociedades mais desenvolvidas caminham justamente na direção oposta: menos horas de trabalho e maior eficiência. Na avaliação dele, produzir mais não depende de ampliar a exploração da mão de obra, mas de investir em inovação e conhecimento.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sentados lado a lado, o primeiro batendo palmas
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – Reprodução

Dirceu também disse que a medida penaliza especialmente os jovens trabalhadores, ao restringir tempo para estudo, lazer e formação pessoal. Ele lembrou que a redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento trabalhista brasileiro desde a greve geral de 1917, responsável pela conquista das oito horas diárias.

Ao atacar a proposta, o ex-ministro acusou Nikolas de assumir lado na disputa entre patrões e empregados. Segundo Dirceu, o discurso de que o país quebraria com menos horas de trabalho repete previsões feitas no passado contra avanços como o salário mínimo e outros direitos sociais.

Para o dirigente petista, a proposta não decorre de desconhecimento, mas de uma escolha política em favor dos donos das empresas. Ele sustentou que ampliar benefícios fiscais para empresários, em vez de investir em produtividade e qualidade de vida, aprofunda desigualdades e representa retrocesso trabalhista.