Fim da guerra civil passa pela revisão imediata dos registros de CACs. Por Gilvandro Filho

Atualizado em 5 de novembro de 2022 às 10:43
O presidente Jair Bolsonaro – Foto: Carolina Antunes/PR

Por Gilvandro Filho

No começo da noite do domingo, 30 de outubro, em Nova Cintra, MG, Luana Rafaela Oliveira Barcelos comemorava a vitória do seu candidato a presidente da República. Com apenas 14 anos, exercia, junto com amigos, o seu direito de festejar a vitória de Lula. O festejo durou pouco. Um fascista se achou no direito de acabar a festa e atirou no grupo. Pedro Henrique Dias Soares, 28 anos, morreu na hora. Luana se foi nesta quinta-feira, após um período internada num hospital. Outras duas pessoas ficaram feridas.

O assassino, identificado como Ruan Nilton da Luz e com passagem pelo sistema prisional em 2004, fazia parte de uma força armada que ascendeu ao longo do governo Bolsonaro, os CACs,  sigla que abriga colecionadores de armas, atiradores profissionais e caçadores. Em grosso modo, um paraíso do armamentismo, impulsionado pelo ainda presidente da República com o objetivo de lhe garantir um respaldo que faliu como solução de segurança, mas não sem antes enlutar milhares de famílias como as de Luana e Pedro Henrique

Luana e Pedro são mais que vítimas de um bêbado covarde que, como todo quase bolsonarista, se arvora no direito de sair atacando, batendo e matando inimigos políticos. Os dois jovens engordam uma macabra estatística que aponta para a situação trágica que assola o Brasil desde a posse nefasta de Jair Messias Bolsonaro, num dramático janeiro de 2019. Nas costas de um lobby poderosíssimo da indústria de armas, o Brasil tornou-se um dos lugares mais perigosos do planeta.

Segundo o SIM (Sistema de Informação de Mortalidade), do Ministério da Saúde, o número de mortes por armas como aquelas permitidas aos CACs cresceu 24,5%. Passou de 3.118 (2020) para 3.878 (2021). Todas as mortes por outros meios de agressão diminuíram, o que leva a uma conclusão: está mais prático, hoje, matar com as armas garantidas pelo governo Bolsonaro.

A explosão dos CACs, nos moldes do fascismo bolsonarista, é a mais abjeta forma de armar a população aliada de que se tem notícia na história desse país. Permitiu a mais irresponsável escalada de portadores legais de armas de fogo de vários calibres. Sob o pretexto de armar a população e garantir-lhe um estranho direito de defesa, o fascismo brasileiro implantado pelo presidente tornou o Brasil um barril de pólvora de dimensões continentais.

O bolsonarismo armado tornou-se uma força que hoje suplanta as próprias Forças Armadas, em se tratando do tipo de armas e munições permitidas a esse tipo de público consumidor. Na era Bolsonaro foram concedidos 549.831 registros de CACs. Para comparação, de 2003 a 2018, foram concedidos 171.431 destes registros; desde 2018, foram registradas mais de 680 mil armas. O grupo de CACs cresceu 474%: de 117.467, em 2018, para 673.818 até junho de 2022. O número de policiais militares da ativa, hoje no país, é de 406 mil policiais militares, enquanto o efetivo total das Forças Armadas é de 360 mil homens.

Nesse inacreditável contingente de civis armados e prontos para a guerra tem gente de toda a espécie, de assassinos potenciais e reincidentes, como o matador de Luana e Pedro Henrique, a feminicidas, militantes aloprados e figuras públicas como o colecionador de granadas Roberto Jefferson ou a deputada Carla Zambelli, que sai atirando pelas avenidas e gritando “deita no chão” para pessoas, e sem legitimidade para isto.

Este ambiente de belicismo armado em que mergulhou o país de quatro anos pra cá põe em risco a segurança nacional. Isto sim. E exige do Governo Lula uma ação rápida e efetiva. A começar pelo cancelamento e recadastramento de todos os registros de CACs expedidos de 2018 para cá. Isto, no bojo de uma série de políticas públicas estruturadoras para a segurança pública, o que não temos hoje. Facilitar o acesso às armas não é o caminho. Nunca foi.

Publicado originalmente em Jornalistas pela Democracia 

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