Final da Copa entre Argentina e Espanha vira disputa simbólica entre Israel e Palestina

Atualizado em 19 de julho de 2026 às 15:33
Lamine Yamal, craque da seleção da Espanha, desfila com bandeira da Palestina em carro aberto

A decisão da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, neste domingo, passou a ser vista nas redes sociais como um confronto simbólico entre dois países que adotaram posições opostas em relação ao genocídio em Gaza.

Publicações no X, Instagram e outras plataformas descrevem o duelo como uma espécie de “Israel contra Palestina”. O ex-lutador do UFC Khabib Nurmagomedov, um dos mais conhecidos apoiadores da causa palestina, escreveu em uma publicação: “Eu sei para quem vou torcer”. J

Outros usuários afirmam que a Argentina é a única seleção da Copa que apoia Israel de forma aberta. A associação entre as seleções e o conflito no Oriente Médio reflete as mudanças recentes na política externa dos dois países.

Desde que assumiu a Presidência em 2023, Javier Milei transformou Israel em um dos principais parceiros diplomáticos da Argentina. O presidente argentino rompeu com a postura mais crítica de governos anteriores e tornou-se um dos capachos de Netanyahu.

Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, lidera uma posição oposta na Europa. Seu governo reconheceu oficialmente o Estado palestino em maio de 2024 e se tornou um dos críticos mais contundentes do massacre israelense em Gaza.

Messi e Yamal simbolizam essa divisão

Os dois principais jogadores da final também acabaram associados a esse cenário.

Lionel Messi evita manifestações políticas, mas sua relação com Israel é antiga. Ao longo da carreira, visitou Jerusalém, disputou amistosos envolvendo equipes israelenses e manteve relações comerciais com empresas do país. Fotos de sua visita ao Muro das Lamentações, em 2013, voltaram a circular intensamente nos últimos dias.

Messi visita o Muro das Lamentações em Israel

Já Lamine Yamal tornou-se um símbolo do apoio à Palestina. Após conquistar o Campeonato Espanhol pelo Barcelona, o atacante apareceu sobre o ônibus da comemoração segurando uma bandeira palestina.

Pedro Sánchez elogiou o gesto. “Lamine apenas expressou a solidariedade à Palestina que milhões de espanhóis sentem. Mais um motivo para termos orgulho dele”, disse. 

Outro rosto conhecido da torcida espanhola é o ator Javier Bardem, defensor histórico da causa palestina. Durante a Copa, ele apareceu em diversas partidas exibindo uma bandeira da Palestina e chegou a dizer, durante a semifinal, que “existir é resistir”.

Nem todos os argentinos compram essa narrativa

A tentativa de transformar a Argentina na “seleção de Israel” também encontrou resistência entre torcedores argentinos. Após a vitória sobre a Inglaterra na semifinal, um torcedor afirmou em um vídeo que viralizou: “Nenhum argentino de verdade apoia Israel. Não acreditem no nosso presidente.”

Outros lembraram Diego Maradona, que sempre demonstrou apoio aos palestinos. Em um encontro com Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, o ex-camisa 10 declarou: “Meu coração é palestino.”

Ao mesmo tempo, torcedores argentinos acompanharam jogos da seleção em eventos organizados na Faixa de Gaza. O texto destaca ainda que tanto Argentina quanto Espanha têm relações complexas com a comunidade judaica.

A Argentina recebeu uma das maiores ondas de imigração judaica da América Latina no século XX, mas também serviu de refúgio para criminosos nazistas após a Segunda Guerra Mundial. Durante a ditadura militar, judeus estiveram entre os grupos mais perseguidos, e o atentado contra a sede da associação judaica AMIA, em 1994, permanece cercado de controvérsias.

A Espanha, por sua vez, busca desde a redemocratização reparar a expulsão e perseguição aos judeus ocorridas entre os séculos XV e XVI, embora o país também tenha registrado crescimento de casos de antissemitismo nos últimos anos.

Enquanto isso, uma pesquisa recente em Israel mostrou que 38% dos torcedores israelenses pretendem torcer pela Argentina na final, reflexo da aproximação promovida pelo governo Milei e da imagem positiva construída por Messi junto ao público israelense.

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