El Niño pode multiplicar casos de dengue no Brasil em 2027; veja região mais afetada

Atualizado em 8 de novembro de 2026 às 9:17
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Foto: Reprodução/CDC

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) projeta cerca de 866 mil casos prováveis de dengue no Brasil em 2027 e alerta que um super El Niño pode elevar o risco em parte do país. A estimativa principal indica uma temporada semelhante às de 2025 e 2026, sem repetir a dimensão da epidemia registrada em 2024. Com informações de g1.

Os pesquisadores apresentaram as projeções na sexta-feira (6) e estimam 80% de chance de o total nacional ficar entre aproximadamente 560 mil e 1,6 milhão de casos. O pico deve ocorrer em abril, quando o país poderá registrar cerca de 40 mil notificações em uma semana.

A previsão reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países. Os cientistas combinam os resultados das ferramentas em vez de adotar uma projeção isolada para reduzir incertezas na estimativa nacional.

O cálculo de 866 mil casos não incorpora diretamente os efeitos do El Niño. Quando a equipe incluiu variáveis climáticas em análises separadas, os modelos chegaram a resultados distintos sobre o tamanho da influência do fenômeno na circulação do vírus.

Modelos climáticos indicam risco maior no Sul

No Sul, os modelos que consideram o El Niño apontam de forma mais consistente para uma temporada de dengue acima da indicada pela projeção principal. Nas demais regiões, os resultados ainda não permitem definir se o fenômeno produzirá aumento expressivo de casos.

Mutirão contra a dengue percorre a cidade de Curitiba, no Paraná. Foto: Cido Marques/SMCS

O El Niño provoca aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera os regimes de temperatura e chuva no Brasil. Calor e umidade podem favorecer a reprodução do Aedes aegypti, mas a incidência da doença também depende das condições locais, da população suscetível e das medidas de controle.

Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, defendeu a preparação da rede de saúde e das ações preventivas. “A dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, afirmou em comunicado.

Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais devem registrar aumento de casos em relação à temporada anterior, conforme a projeção. Nos demais estados, a expectativa é de números próximos ou inferiores aos observados no ciclo anterior.

A Fiocruz recomenda vigilância em todo o país porque as condições climáticas podem mudar nos próximos meses. A eliminação de recipientes que acumulam água permanece entre as principais medidas para interromper a reprodução do mosquito.

Pela primeira vez, a equipe também elaborou uma previsão nacional para chikungunya, doença transmitida pelo mesmo vetor. A estimativa supera 90 mil casos prováveis em 2027, com tendência de alta sobretudo no Nordeste, no Sul, em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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