
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decisão que proibiu a visita do assessor do governo Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. O parlamentar afirmou que o magistrado está “arrumando confusão com os Estados Unidos” ao rever autorização dada anteriormente para o encontro.
“Depois taxam o Brasil, e vão querer colocar a culpa na nossa conta”, disse Flávio, citando o tarifaço imposto ao país após seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, promover articulação golpista contra autoridades brasileiras nos EUA.
“Moraes é tóxico, afundou a imagem do Judiciário e, agora, está criando um problema master para o Brasil. Qual é o problema de o sujeito visitar meu pai? A não ser que haja algo a esconder…”, prosseguiu o senador.
A decisão foi modificada depois que o Ministério das Relações Exteriores alertou para o risco de ingerência estrangeira nas eleições presidenciais de 2026. Moraes pediu esclarecimentos ao Itamaraty e, após receber as informações, voltou atrás na autorização que havia concedido para a visita marcada para o dia 18 de março.
Alexandre de Moraes, mais uma vez, arrumado confusão com os EUA por NADA!
Depois taxam o Brasil e vão querer colocar na nossa conta.
Moraes é tóxico, afundou a imagem do Judiciário e agora está criando um problema MASTER para o Brasil.
Qual é o problema de o sujeito visitar… pic.twitter.com/BZaYkDlBSQ
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) March 13, 2026
Na decisão, Moraes apontou que o pedido de visita foi feito com base em suposta agenda diplomática, mas o Ministério das Relações Exteriores informou que não havia compromissos oficiais previstos no país. Segundo o governo brasileiro, a única atividade comunicada pelo Departamento de Estado americano era a participação de Beattie em um fórum sobre minerais críticos, em São Paulo.
O ministro apontou que o visto diplomático concedido ao assessor foi autorizado com base nessa justificativa específica. “Não houve, como se depreende das informações encaminhadas aos autos, a indicação de qualquer outro compromisso, diplomático ou não”, escreveu.
O magistrado acrescentou que a visita ao ex-presidente não foi informada previamente às autoridades brasileiras. Em outro trecho da decisão, Moraes afirmou que a realização do encontro poderia levar à revisão do visto.
Beattie atua como assessor para assuntos ligados ao Brasil no Departamento de Estado e já atacou publicamente o governo brasileiro e o próprio ministro. O chanceler Mauro Vieira afirmou ao STF que a visita poderia representar “risco de ingerência” em assuntos internos do país, argumento que foi considerado pelo ministro ao revogar a autorização.