Flávio Bolsonaro ataca Lula para desviar foco do escândalo do Banco Master

Atualizado em 22 de março de 2026 às 14:59
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou defender o indefensável. Afirmou, contrariando todas as evidências, que o escândalo envolvendo o Banco Master não pode ser associado à direita e acusou o Presidente Lula (PT) de promover uma “narrativa falsa” para vincular o caso a parlamentares de oposição. A declaração foi feita neste domingo (22), durante evento de pré-campanha em João Pessoa (PB), onde o senador busca ampliar sua base política no Nordeste.

“Não pode atingir a direita porque você não pode continuar com essa narrativa falsa que o Lula tem criado de querer nos vincular a isso. A gente defende a CPI do Banco Master, a gente já assinou impeachment de ministro. A gente está vendo uma investigação avançar e mostrando que o ciclo muito próximo do Lula, muito próximo a ele, em especial na Bahia, com o senhor Jacques Wagner e o senhor Rui Costa. Essas pessoas é que estão no cerne do início desse grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O senador também comentou a possibilidade de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, atualmente investigado. “Vamos esperar ver que as investigações que estão ocorrendo de forma séria e com uma polícia federal imparcial, finalmente, a verdade possa vir à tona. Nós esperamos que o Daniel Vorcaro faça sua delação e entregue tudo o que ele sabe”, disse.

Flávio Bolsonaro participou de agendas no Nordeste ao longo do fim de semana, incluindo passagem por Natal (RN) no sábado (21). A estratégia busca fortalecer sua pré-candidatura na região, tradicionalmente mais favorável ao Presidente Lula, em um momento de intensificação do debate político em torno de casos de grande repercussão nacional.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Flávio é desmentido pelas investigações

Apesar das declarações de Flávio, investigações e informações já reveladas indicam que Daniel Vorcaro mantinha interlocução com nomes relevantes da direita política e econômica.

O empresário teria relações com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, além de proximidade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, a quem foi chamado de “grande amigo” pelo banqueiro preso.

Vorcaro também aparece ligado a Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central durante o governo Bolsonaro, em meio a discussões e movimentações no setor financeiro. Foi na gestão do bolsonarista, por exemplo, que o dono do Master teve o caminho aberto para as práticas criminosas e contou com a atuação de Campos Neto travando as punições ao banco.

Além disso, há registros de interlocução com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar se beneficiou de favores de Vorcaro, como o empréstimo de jatinhos, para compromissos pessoais durante a campanha eleitoral em 2022 acompanhado de líderes da Igreja Lagoinha.

Ainda que Nikolas alegue desconhecer Vorcaro até o estouro das investigações, em novembro de 2025, os dois sempre estiveram no mesmo círculo de amizade na Lagoinha. Enquanto o parlamentar é filho de um pastor da congregação, o banqueiro é cunhado de Fabiano Zettel, outro líder religioso.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.