
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou defender o indefensável. Afirmou, contrariando todas as evidências, que o escândalo envolvendo o Banco Master não pode ser associado à direita e acusou o Presidente Lula (PT) de promover uma “narrativa falsa” para vincular o caso a parlamentares de oposição. A declaração foi feita neste domingo (22), durante evento de pré-campanha em João Pessoa (PB), onde o senador busca ampliar sua base política no Nordeste.
“Não pode atingir a direita porque você não pode continuar com essa narrativa falsa que o Lula tem criado de querer nos vincular a isso. A gente defende a CPI do Banco Master, a gente já assinou impeachment de ministro. A gente está vendo uma investigação avançar e mostrando que o ciclo muito próximo do Lula, muito próximo a ele, em especial na Bahia, com o senhor Jacques Wagner e o senhor Rui Costa. Essas pessoas é que estão no cerne do início desse grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”, afirmou Flávio Bolsonaro.
O senador também comentou a possibilidade de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, atualmente investigado. “Vamos esperar ver que as investigações que estão ocorrendo de forma séria e com uma polícia federal imparcial, finalmente, a verdade possa vir à tona. Nós esperamos que o Daniel Vorcaro faça sua delação e entregue tudo o que ele sabe”, disse.
Flávio Bolsonaro participou de agendas no Nordeste ao longo do fim de semana, incluindo passagem por Natal (RN) no sábado (21). A estratégia busca fortalecer sua pré-candidatura na região, tradicionalmente mais favorável ao Presidente Lula, em um momento de intensificação do debate político em torno de casos de grande repercussão nacional.

Flávio é desmentido pelas investigações
Apesar das declarações de Flávio, investigações e informações já reveladas indicam que Daniel Vorcaro mantinha interlocução com nomes relevantes da direita política e econômica.
O empresário teria relações com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, além de proximidade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, a quem foi chamado de “grande amigo” pelo banqueiro preso.
Vorcaro também aparece ligado a Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central durante o governo Bolsonaro, em meio a discussões e movimentações no setor financeiro. Foi na gestão do bolsonarista, por exemplo, que o dono do Master teve o caminho aberto para as práticas criminosas e contou com a atuação de Campos Neto travando as punições ao banco.
Além disso, há registros de interlocução com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar se beneficiou de favores de Vorcaro, como o empréstimo de jatinhos, para compromissos pessoais durante a campanha eleitoral em 2022 acompanhado de líderes da Igreja Lagoinha.
Ainda que Nikolas alegue desconhecer Vorcaro até o estouro das investigações, em novembro de 2025, os dois sempre estiveram no mesmo círculo de amizade na Lagoinha. Enquanto o parlamentar é filho de um pastor da congregação, o banqueiro é cunhado de Fabiano Zettel, outro líder religioso.