
O governo da Itália informou nesta sexta (6) ao Parlamento que reconheceu a cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de seus irmãos Carlos e Eduardo 58 dias após eles apresentarem os documentos na Embaixada da Itália em Brasília. A concessão do documento ocorreu em 5 de janeiro de 2023.
Os três irmãos entregaram a documentação em 8 de novembro de 2022, dias depois da derrota de Jair Bolsonaro no segundo turno. O intervalo contrasta com a espera nos consulados italianos no Brasil, que costumava chegar a cerca de dez anos antes da mudança na lei de cidadania aprovada no ano passado.
O senador usou o passaporte italiano para entrar na Argentina antes de seguir para os Estados Unidos após a derrota eleitoral.
A subsecretária italiana para as Relações com o Parlamento, Matilde Siracusano, afirmou que os documentos estavam completos e obedeciam às regras vigentes. “O reconhecimento da cidadania italiana de Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro ocorreu em respeito à normativa então vigente e aos procedimentos previstos”, disse.
Eduardo entrou na lista de espera da embaixada em 2020. Carlos e Flávio fizeram o mesmo quase um ano depois, e a representação diplomática analisou os pedidos de forma conjunta. Em outubro de 2021, o ex-deputado procurou o consulado para pedir uma atualização sobre o processo.
Deputado italiano questiona rapidez do reconhecimento

O deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verde e de Esquerda, pediu explicações formais ao governo italiano e afirmou no plenário que a resposta aponta para uma tramitação acelerada. “É claro que depois dessa resposta é evidente que houve um procedimento acelerado”, declarou.
Bonelli disse que apresentará uma denúncia à Justiça italiana para apurar a existência de “procedimento preferencial e pressões políticas” na concessão da cidadania. Ele citou a proximidade entre os irmãos Bolsonaro e o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, sem apresentar provas de interferência.
Salvini, líder da Liga, é um dos integrantes da coalizão que governa a Itália e mantém relação política com a família Bolsonaro. Flávio participou de um evento do partido na Itália em 2025, e o vice-premiê o chamou de “amigo” ao comentar o resultado eleitoral do senador no primeiro turno.