Flávio Bolsonaro já teve sigilo quebrado; saiba o que foi revelado

Atualizado em 23 de outubro de 2026 às 15:38
Flávio Bolsonaro na Alerj. Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, teve o sigilo bancário quebrado na investigação sobre suspeitas de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Os extratos de duas contas em seu nome registraram R$ 474 mil em depósitos em espécie, distribuídos em 184 operações entre janeiro de 2007 e dezembro de 2018, período em que exerceu mandato de deputado estadual.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou Flávio em novembro de 2020 por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os promotores sustentaram que parte dos salários de funcionários teria custeado despesas pessoais e familiares e ampliado o patrimônio do então deputado. Em fevereiro de 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a quebra de sigilo bancário.

A maior parte dos depósitos em espécie tinha valor de R$ 2 mil, sem identificação de quem fez as operações. Em 27 de junho de 2017, os extratos apontaram dez depósitos desse valor; no dia seguinte, outros oito. Em 13 de julho daquele ano, houve mais 15 depósitos de R$ 2 mil.

Na denúncia, o MP classificou o fracionamento como um método típico de ocultação de recursos. “Esse método de depósitos de dinheiro em espécie de forma fracionada representa uma das mais clássicas tipologias de lavagem de dinheiro”, afirmou o órgão.

Movimentação bancária e despesas do casal

Flávio Bolsonaro em sua franquia da Kopenhagen. Foto: Reprodução

As contas registraram R$ 12,8 milhões em créditos ao longo dos 12 anos analisados. Após excluir resgates de aplicações financeiras, empréstimos e financiamentos, os créditos totalizaram R$ 8,7 milhões.

Os extratos indicaram ao menos R$ 2 milhões recebidos da Alerj. A Bolsotini, loja de chocolates ligada a Flávio, repassou outros R$ 978 mil entre 2015 e 2018, conforme os registros bancários examinados na investigação.

O Ministério Público também apontou que, entre 2010 e 2014, as despesas de Flávio e da esposa ultrapassaram em R$ 978 mil as receitas de origem lícita consideradas pelos promotores. A denúncia definiu o montante como “correspondente à estimativa de parte do enriquecimento ilícito” do casal.

Em diversos meses, os extratos não registraram pagamentos da escola das filhas, enquanto câmeras de uma agência bancária mostraram o ex-assessor Fabrício Queiroz quitando parte dessas despesas em dinheiro.

Depois de assumir o mandato de senador, em 2019, Flávio se mudou para Brasília e comprou, em janeiro de 2021, uma casa de R$ 5,97 milhões. O BRB financiou R$ 3,1 milhões do imóvel. Em abril daquele ano, ele registrou no mesmo endereço um escritório individual de advocacia, que emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em 62 notas fiscais entre 2023 e julho de 2026.

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