
Flávio Bolsonaro está na situação do sujeito que imagina liderar um grupo, mas não lidera nem os irmãos que fazem parte da turma. E ainda ouve desaforos.
O filho ungido pelo pai não tem o controle do bolsonarismo sem Bolsonaro, porque nunca fez política no braço. Falta tutano para Flávio.
Ele era o empreendedor da família, o multiplicador de patrimônio, o homem da teologia da prosperidade. Não participava do embate de Brasília e não tinha a vocação de Eduardo para o confronto, a retórica e o ativismo nas redes sociais.
Por isso está perdido, desprezado pela facção de Nikolas Ferreira, sendo chamado de ingênuo por Carluxo e esnobado por Michelle. Flávio só tem mesmo o apoio do pai e o suporte agora protocolar de Tarcísio de Freitas.
Sua situação é tão frágil dentro do bolsonarismo, que não fecha com a sua boa performance nas pesquisas. Flávio não é levado a sério nem por Romeu Zema, que no início de abril o convidou, na brincadeira, para que fosse seu vice.

O humor de Zema foi, na verdade, um jeito de dizer que Flávio é uma piada, que só se sai bem contra Lula, porque até Zema pode se sair. Qualquer anti-Lula vai para o páreo.
Nesse trote, como estará a candidatura do senador aí por julho? Flávio sobreviverá à guerra interna da extrema direita, sabendo-se que Michelle não se acalmou por ter sido preterida pelo marido na briga com o enteado?
Michelle lidera a guerra contra Flávio, mas até quando? Até quando a grande imprensa, com a Globo à frente, terá fôlego para insistir na criação de uma via alternativa com Zema e Caiado?
O que acontecerá quando as corporações e a velha direita se derem conta de que é Flávio contra Lula ou não é nada?
Merval, Andréia Sadi, Gabeira, Eliane Cantanhêde, Malu Gaspar, Vera Magalhães e outros e outras se jogarão de cabeça na campanha do filho? Flávio coloca toda essa gente diante de uma escolha difícil, mais uma vez.