
Conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e histórico dirigente do PT, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha criticou a avaliação interna do partido sobre a sucessão presidencial e afirmou não entender a comemoração pela escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL) como possível adversário. Em entrevista ao Estadão, ele disse que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria mais fácil de derrotar e que a rejeição ao sobrenome Bolsonaro já estaria consolidada no eleitorado.
Questionado sobre a disputa, João Paulo afirmou que a candidatura de Tarcísio representaria menos risco ao PT. “Eu não sei direito por que comemoraram. Do meu ponto de vista, a candidatura do Tarcísio era mais fácil de ser derrotada do que a do Flávio. É o contrário”.
Para ele, governadores paulistas historicamente não conseguem vencer eleições nacionais e o apoio do mercado financeiro não garante votos no restante do país. “O candidato da Faria Lima invariavelmente perde a eleição”, disse, acrescentando que a disputa presidencial tende a ser equilibrada: “Eu acho que vai ser acirrada e vai ser uma disputa pau a pau”.
O ex-parlamentar também avaliou o cenário de alianças e afirmou que o governo demorou a se aproximar dos partidos de centro. Segundo ele, a movimentação atual para buscar MDB, PSD e outras siglas poderia ter sido iniciada antes. “Eu acho que nós perdemos um pouco do tempo”.

Ainda assim, defendeu que o governo avance nas articulações sem que o PT abandone sua identidade ideológica. “O PT tem a obrigação quase histórica de continuar sendo de esquerda, democrático, socialista, esse é o papel do PT”.
Sobre o desempenho econômico do governo, João Paulo reconheceu indicadores positivos, mas disse que o tema não deve ser decisivo na eleição. “Os números da economia são bastante positivos e precisam ser divulgados. No entanto, vivemos um momento em que isso é insuficiente”.
Ele afirmou que fatores comportamentais e pessoais têm maior peso no debate político atual e demonstrou pessimismo quanto à redução da rejeição ao presidente. “O grande desafio do governo, do presidente Lula, do PT e dos partidos aliados é conseguir fazer uma campanha em que não cometam muitos erros”.