
A equipe do pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, senador Flávio Bolsonaro (RJ), já começou a estruturar os principais pontos do eixo econômico do plano de governo, informa o Valor. Entre as propostas em estudo estão mudanças nas regras do mercado de trabalho, com maior flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de uma reforma no desenho fiscal de benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O grupo também discute complementos às reformas da Previdência e trabalhista, além de mudanças na infraestrutura que o governo Jair Bolsonaro iniciou, mas não concluiu, como a abertura do setor elétrico. Propostas desse tipo costumam agradar investidores porque indicam continuidade de políticas de liberalização econômica, ampliação de concessões e maior participação da iniciativa privada em áreas consideradas estratégicas.
O programa poderá incluir ainda abertura comercial, redução da carga tributária sobre bens de consumo e mecanismos de renegociação de dívidas tributárias acumuladas por empresas e contribuintes. A pré-campanha contratou a consultoria GO Associados, que ouviu mais de 70 pessoas para organizar as sugestões, e trabalha com a possibilidade de anunciar o plano em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de divulgar previamente o nome para o Ministério da Economia, gesto que costuma ser interpretado como tentativa de dar previsibilidade aos agentes financeiros.
Apesar de ainda não haver interlocução formal com a Faria Lima, integrantes da campanha afirmam que as propostas vêm recebendo “inputs informais” de investidores. Sinalizações favoráveis a privatizações e à continuidade da política econômica associada a Paulo Guedes são vistas como tentativa de manter a confiança do setor financeiro.
No plano político, a campanha também pretende incluir uma agenda de “moralização institucional” e explorar o desgaste do Judiciário após o caso Master, ao mesmo tempo em que avalia nomes para a vice, com preferência por Romeu Zema (Novo) e também menções a Ratinho Jr. (PSD) e Tereza Cristina (PP-MS).