Flávio Bolsonaro tirou a paciência dos próprios eleitores ao pedir desculpas a Lula, segundo diretor da Quaest

Atualizado em 24 de outubro de 2026 às 7:31
Flávio Bolsonaro durante debate da Globo. Foto: reprodução

O analista Felipe Nunes, diretor da Quaest, apontou que o pedido de desculpas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Lula (PT) foi o momento que mais irritou o eleitorado de extrema-direita durante o debate presidencial realizado pela Globo na última sexta-feira (23). Segundo Nunes, enquanto a média geral do eleitorado avaliou positivamente a postura de Flávio no confronto, os bolsonaristas foram os que mais se incomodaram com a retratação.

“O eleitor bolsonarista, o momento em que ele analisa mais mal o Flávio, é o momento em que a gente tem o pedido de desculpas”, disse Nunes, exibindo um gráfico de interações no programa Central das Eleições, da GloboNews. “Se na média do eleitorado, pela avaliação que a gente faz desses eleitores no geral, o Flávio faz uma virada em cima do Lula, ao contrário acontece no caso dos bolsonaristas, eles são os que mais se incomodam”.

A polêmica começou quando Flávio, sem nunca ter tido a carteira assinada, zombou da perda de um dedo do petista enquanto ele tinha 17 anos e trabalhava em uma fábrica no turno da madrugada. Lula exigiu direito de resposta e cobrou a retratação.

“Me chamou de nove dedos, se alguém aqui nesse púlpito sabe o que é trabalho, sou eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Nunca trabalhou na vida e não sabe o que é uma carteira profissional”, afirmou o presidente.

Após a resposta de Lula, Flávio se retratou: “Se eu ofendi, eu te peço desculpas, não queria te ofender”. O candidato, porém, aproveitou para perguntar se o presidente também pediria desculpas por problemas sociais de sua gestão, citando o endividamento, o custo dos alimentos, a violência contra mulheres e o crescimento da população em situação de rua.

Flávio também criticou o momento escolhido para reajustar o Bolsa Família, anunciado a 17 dias do primeiro turno, e mencionou ações contra a Cracolândia na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) como modelo a ser usado para usuários de entorpecentes.

Lula defendeu seu histórico de políticas sociais e afirmou que ainda há medidas a implementar. “Quem tem que pedir desculpa ao Brasil é a elite brasileira”, disse o presidente.

O debate da Globo foi o último encontro entre os candidatos antes do segundo turno das eleições de 2026, e a análise da Quaest indica que o episódio pode ter custado a Flávio apoio junto à base mais fiel do bolsonarismo, justamente no momento decisivo da disputa.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.