
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nesta segunda (25) a Washington com a expectativa de se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Até o momento, no entanto, a Casa Branca não confirmou a agenda.
Segundo interlocutores do parlamentar ouvidos pela Folha de S.Paulo, o encontro está previsto para terça (26) e foi articulado a partir de um convite do governo americano. A viagem ocorre em um momento delicado para a pré-campanha presidencial do senador.
A divulgação de mensagens pelo Intercept Brasil, nos quais Flávio pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, provocou desgaste político e coincidiu com uma mudança no cenário eleitoral registrado pela pesquisa Datafolha.
No levantamento, Lula ampliou de três para nove pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio em uma simulação de primeiro turno, passando a registrar 40% das intenções de voto contra 31% do senador. No segundo turno, o empate anterior em 45% deu lugar a uma vantagem de 47% a 43% para o presidente.
Aliados do parlamentar minimizam os efeitos da crise e afirmam que a campanha ainda está em fase inicial. Segundo pessoas próximas ao senador, ele deve cumprir compromissos ao lado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do blogueiro Paulo Figueiredo.

Figueiredo afirmou que nem a campanha nem a Casa Branca confirmaram ou negaram uma eventual reunião com Trump. “De fato, Flávio Bolsonaro está em Washington para uma série de reuniões de alto nível. O resto saberão em breve”, escreveu.
Integrantes do governo Lula acompanham a movimentação, mas afirmam não ver motivos para tentar impedir uma eventual agenda entre os dois políticos. Nos bastidores, a viagem é interpretada por interlocutores como uma tentativa de gerar um fato político positivo em meio à repercussão do caso “Dark Horse”.
Auxiliares do governo dizem que qualquer gesto que possa ser interpretado como interferência externa no processo eleitoral brasileiro receberia resposta imediata.
Entre aliados de Flávio também existe cautela. Há receio de que uma eventual reunião seja cancelada de última hora, já que Trump acompanha negociações internacionais relacionadas ao conflito envolvendo o Irã. Por isso, a divulgação antecipada da agenda foi evitada por integrantes próximos ao senador.