
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar suspeitas de interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2026. A decisão inclui possíveis ações de agentes externos, financiamento vindo do exterior e atuação de plataformas digitais durante a campanha.
A apuração deverá examinar a possível participação de pessoas, organizações e empresas estrangeiras no processo eleitoral brasileiro. Entre os pontos levantados estão publicidade política financiada a partir do exterior e iniciativas que possam ter beneficiado ou prejudicado candidaturas no ambiente digital.
Dino também apontou suspeitas de uso intencional dos algoritmos de plataformas digitais para favorecer ou prejudicar candidatos. A investigação deverá verificar possíveis “assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas” na distribuição de conteúdo durante a disputa eleitoral.
A Polícia Federal deverá identificar se ferramentas de recomendação, impulsionamento e distribuição de publicações foram utilizadas de forma deliberada para interferir na competição entre os candidatos. Plataformas como Meta e X já haviam sido alvo de questionamentos durante a campanha sobre o funcionamento de seus sistemas de recomendação.

Apuração inclui possível negociação por minerais brasileiros
O ministro também mandou investigar um eventual oferecimento de apoio político estrangeiro em troca de acesso a terras raras e minerais críticos do Brasil. Esses recursos são considerados estratégicos para setores como tecnologia, defesa, energia e produção de equipamentos eletrônicos.
A investigação ocorre após declarações feitas por Flávio Bolsonaro em março deste ano, durante participação na CPAC, conferência conservadora realizada no Texas, nos Estados Unidos. No evento, o então candidato afirmou que o Brasil poderia ajudar os americanos a reduzir sua dependência da China na área de minerais estratégicos.
“O Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”, afirmou Flávio durante o discurso. Ele também declarou que o Brasil seria um “campo de batalha” na disputa geopolítica envolvendo esses recursos.
🚨 VEJA l Flávio Bolsonaro oferece as terras raras brasileiras para os americanos e diz que o Brasil é a solução para os EUA não serem dependentes de minerais críticos e terras raras da China
https://t.co/aYYVuZvaKD— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) March 29, 2026
Terras raras e minerais críticos entraram no foco da decisão de Dino justamente pela suspeita de que interesses estrangeiros nesses recursos possam ter sido vinculados a apoio político durante a eleição. A PF deverá verificar se houve conversas, propostas ou algum tipo de articulação envolvendo acesso privilegiado às reservas brasileiras.
A Polícia Federal também deverá reunir elementos sobre outras frentes mencionadas na decisão, entre elas eventual financiamento estrangeiro de conteúdo político, atuação coordenada de organizações internacionais e possíveis interferências de empresas de tecnologia no alcance das campanhas.
A investigação também poderá analisar movimentações financeiras e comunicações relacionadas às suspeitas. Dino determinou que órgãos públicos forneçam informações necessárias à PF para esclarecer a origem de recursos e eventuais vínculos entre agentes brasileiros e estrangeiros.
A ordem do STF abre uma investigação federal para determinar se houve interferência externa nas eleições de 2026 e se algum apoio político foi condicionado a interesses econômicos sobre recursos minerais brasileiros. As suspeitas ainda deverão ser comprovadas durante a apuração, e a abertura do inquérito não significa que os envolvidos tenham cometido crimes.