
Flávio Bolsonaro (PL) está “apavorado” com a possibilidade de ser preso e recuou da ofensiva para anular a eleição, afirmou um assessor da família ao Washington Post. A reportagem publicada nesta segunda-feira (26) relaciona a mudança de postura ao medo de prisão e à ausência de um sinal de intervenção de Donald Trump em favor do senador.
“Flávio desistiu”, disse o assessor, ouvido sob condição de anonimato. Segundo ele, o senador teme ser preso ainda nesta semana, enfrentar uma pena longa e que o pai, Jair Bolsonaro, morra preso. O ex-presidente está em prisão domiciliar. Para essa fonte, o temor de cadeia explica a disposição de aceitar a derrota na prática.
Segundo o aliado, Flávio já fez uma admissão prática do resultado ao abandonar o pedido de anulação da eleição e que agora o senador deve concentrar a ofensiva em ações pela cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder. Publicamente, porém, Flávio Bolsonaro manteve o discurso de contestação: “Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”.
O recuo veio logo depois de Trump alegar, sem apresentar provas, que a eleição brasileira parecera fraudada, mas não anunciou uma intervenção em favor do candidato derrotado. A reportagem apresentou essa ausência de sinal de ajuda como parte do contexto da mudança de postura de Flávio Bolsonaro.
.@POTUS on the election in Brazil: “It looked like another rigged election, frankly. I didn’t take sides, but it was a terrible look for the world. Elections have to be indisputable — and it looked very bad to me.” pic.twitter.com/wNQBXiN4Go
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) October 26, 2026
Outro aliado, também ouvido sob anonimato, disse que a decisão de abandonar a anulação havia sido tomada em reunião na manhã de segunda-feira, diante do reconhecimento da vitória de Lula pelas autoridades. Segundo ele, as ações por abuso de poder são um procedimento rotineiro e que a campanha não espera que prosperem. Um dos argumentos seria o anúncio de aumento do principal benefício social do país antes do segundo turno.
A prorrogação da votação, usada pelo senador para questionar a eleição, foi solicitada pelas duas campanhas diante de problemas climáticos e de transporte. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram identificados cerca de 35,5 mil votos presidenciais após as 17h nas 497.897 seções analisadas. O volume identificado representa somente 0,023% do eleitorado brasileira.
O senador também foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes em 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirma que não planejava fugir e diz que contestará a medida.