
Publicações nas redes sociais voltaram a chamar atenção para a expressão “Flávio gêmeos PM”, ligada aos policiais militares Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Os irmãos acompanharam atividades da campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado em 2018 e foram presos naquele ano.
Os gêmeos são irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, conhecida como Val Meliga, que trabalhou na liderança do PSL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na administração financeira da campanha de Flávio. Em 2018, eles acompanharam agendas eleitorais na zona oeste da capital fluminense, com apoio à segurança dos eventos, segundo integrantes da campanha ouvidos à época.
As prisões ocorreram durante a Operação Quarto Elemento. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a segunda fase, deflagrada em 30 de agosto de 2018, atingiu um esquema que identificava pessoas ou estabelecimentos em situação irregular para cobrar dinheiro em troca de evitar prisões ou apreensões. A denúncia alcançou 48 pessoas, entre elas policiais civis, militares e informantes.

O desfecho judicial exige uma ressalva: segundo o UOL, Alex foi absolvido em primeira instância por insuficiência de provas, e o Ministério Público recorreu para pedir sua condenação. Alan morreu em setembro de 2020. A prisão de 2018, portanto, não equivale a uma condenação dos irmãos.
A proximidade também apareceu em uma fotografia publicada por Flávio em outubro de 2017, durante uma comemoração de aniversário dos policiais. O registro reúne o então deputado estadual, Jair Bolsonaro, os gêmeos e Valdenice. Na mensagem que acompanhou a imagem, Flávio escreveu: “essa família é nota mil!!!”.
Após as prisões, em setembro de 2018, Flávio negou que os policiais trabalhassem para ele. Disse que os dois eram simpatizantes de sua candidatura e apareciam ocasionalmente nas agendas. “Mas os irmãos dela não trabalham comigo”, afirmou, ao mencionar Valdenice, em declaração publicada pelo Estadão.
Valdenice afirmou à época que os irmãos acompanhavam algumas atividades como voluntários, durante as folgas na Polícia Militar. Também disse que eles eram inocentes. A presença dos PMs em atos eleitorais e a negativa de vínculo profissional integram o histórico retomado pelas publicações nas redes.