
A Folha de S.Paulo retirou quatro parágrafos sobre a forma de captação de recursos da Fictor de uma reportagem publicada em 17 de novembro de 2025, quando o grupo afirmava interesse em comprar o Banco Master, segundo o Metrópoles. A versão inicial do texto citava sociedades em conta de participação (SCPs) ligadas à empresa e a ausência de supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A primeira versão foi ao ar às 21h04. Menos de duas horas depois, a reportagem deixou de trazer os quatro parágrafos e passou a exibir o horário de 22h29, sem aviso aos leitores sobre a retirada do conteúdo.
O texto suprimido dizia que a Fictor captava recursos por meio de SCPs, modalidade que não tem fiscalização da CVM. A reportagem também mencionava 11 sociedades vinculadas ao grupo, com capital social somado de R$ 1,67 bilhão, e reproduzia a avaliação de um advogado sobre os riscos da falta de controle regulatório.
No Manual da Redação, a Folha afirma que “suprimir ou inserir uma informação de um texto pode alterar o significado da notícia” e cita uma “atitude de permanente transparência diante dos seus leitores”. A página que permaneceu disponível não sinaliza a exclusão dos trechos sobre as SCPs.

Folha diz que parágrafos não eram importantes para o perfil
A Folha declarou que a Editoria de Economia decidiu retirar os parágrafos porque precisava ouvir a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e explicar melhor o modelo de captação da Fictor. O jornal alegou que a publicação era um perfil de uma empresa interessada na compra do Master, e não uma reportagem de denúncia.
A Folha também negou ter recebido pedido para excluir o conteúdo. Sobre a ausência de aviso específico da alteração, afirmou que sua prática é informar o dia e o horário de atualização e declarou que os parágrafos “não eram importantes para o objetivo do texto”.
A ombudsman da Folha detonou posteriormente o perfil da Fictor e escreveu que a publicação soava “generosa demais com o ‘conglomerado’”. Ela apontou que as atividades da empresa haviam sido descritas com base no próprio site do grupo.
Em fevereiro de 2026, a Fictor pediu recuperação judicial e declarou passivo de R$ 4,2 bilhões, com mais de 13 mil credores, em sua maioria pessoas físicas. Em agosto, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo anulou contratos de SCPs firmados pelo grupo com milhares de investidores.
A Fictor negou participação em decisões editoriais da Folha e afirmou que não pediu a retirada de informações nem interferiu na edição da reportagem. A empresa também contestou a definição de parceira do Banco Master, dizendo que houve apenas negociações para uma aquisição que não se concretizou.