Folha cria cátedra de jornalismo na USP e põe extremista que divulgou tomografia de Marisa Letícia para coordenar. Por Luis F. Miguel

Cláudio Tognolli

Publicado originalmente no Facebook do autor:

Por Luis Felipe Miguel

A Folha criou uma cátedra na USP com o intuito de “desenvolver estudos sobre jornalismo, democracia e diversidade”.

Tentativa óbvia de fazer uma faxina na imagem, no momento em que a empresa volta a se posicionar como paladina da democracia – e o passado, bem presente, de golpismo renitente a assombra.

Mas a jogada falha quando se olha para os coordenadores da cátedra.

Um deles é simplesmente dono de um currículo magro e sem noção, em que lista, entre “prêmios e títulos” recebidos, o fato de ser o “primeiro Livre-Docente da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) com defesa de tese por meio de videoconferência” (informação tão importante que aparece duas vezes seguidas) e que “segundo dados do Google Acadêmico (Google Scholar), desde 1999 diferentes obras minhas foram citadas cerca de 82 vezes, em diversas publicações”.

“Cerca de” 82 vezes é ótimo. Se está arredondando para 82, é porque foram, na verdade, 81,7 citações?

Mas o outro é o notório Claudio Tognolli, aquele que divulgou a tomografia de dona Marisa Letícia, em 2017, e, no ano seguinte, o número do celular do desembargador Rogério Favreto, que determinara a soltura de Lula quando estava como plantonista do TRF-4.

O que ele pratica se chama intimidação e assédio.

Espantoso é que a USP não tenha tomado providências para excluir de seus quadros alguém tão obviamente destituído dos requisitos morais básicos para exercer seja o jornalismo, seja a docência.

Quando ele cometeu a indignidade contra dona Marisa Letícia, eu fui ao currículo do sujeito, que era bizarro.

Continua o mesmo, apenas com o acréscimo da frase “é idealizador e um dos responsáveis pela cátedra Otavio Frias Filho, a operar no Instituto de Estudos Avançados da USP , com inauguração a 18/02/2021 (sic), data em que o Grupo Folha completa 100 anos” – o que compromete a Folha ainda mais.

Quanto ao resto, reproduzo o apanhado que fiz anos atrás: “No resumo, ele cita a vendagem de seus livros (uma defesa de Romeu Tuma Junior e uma biografia de Lobão) e termina com essa pérola: ‘Tognolli está listado como escritor na Livraria do Congresso dos EUA’ (seguido do link). Uma vez que a Library of Congress (que não é uma livraria, é uma biblioteca, como sabe qualquer estudante de inglês básico) é uma das maiores bibliotecas do mundo e lista “como escritor” qualquer um que tenha uma obra no seu catálogo, não é muito difícil estar lá. (Eu estou lá, na companhia de Michel Temer, Benito Mussolini, Saddam Hussein, Romero Britto e milhões de outros, e jamais me passaria pela cabeça considerar que isso seria um item de currículo.)”

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