Folha expõe Lima Duarte ao cancelamento ao distorcer autocrítica antirracista

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 15:38
Lima Duarte recebe prêmio APCA por trajetória na TV brasileira. Foto: Reprodução

A Folha de S.Paulo usou o discurso de Lima Duarte na cerimônia da APCA para expô-lo de maneira grotesca e covarde.

Ao destacar que o ator “provocou polêmica ao proferir uma frase racista”, o jornal distorce o episódio de maneira grave: transforma uma autocrítica em acusação.

Lima Duarte, aos 96 anos, não estava fazendo piada nem reproduzindo preconceito de forma leviana.

Ao contrário: sua fala foi um exercício de revisão pessoal, uma reflexão sobre pensamentos e atitudes de outro tempo. É o tipo de depoimento que exige escuta atenta e inteligente. O que houve ali foi o reconhecimento de um ato racista, não uma celebração.

A lógica de lacração levou a destacar o trecho como anedota. Mas essa leitura apressada ignora o contexto e o sentido do discurso. Há uma diferença essencial entre repetir uma frase racista e expor essa frase como parte de uma crítica ao próprio passado. A Folha escolheu não fazer essa distinção — e, ao fazer isso, jogou combustível num ambiente já inflamável.

O resultado é previsível: a máquina das redes sociais entra em ação, muitas vezes sem que as pessoas tenham sequer assistido ao discurso completo.

Quando não está revirando a memória de quem já morreu, como ocorreu com Rita Lee, o jornal joga um artista idoso na fogueira.

Texto da Folha quando Rita Lee morreu
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