
A Folha de S.Paulo usou o discurso de Lima Duarte na cerimônia da APCA para expô-lo de maneira grotesca e covarde.
Ao destacar que o ator “provocou polêmica ao proferir uma frase racista”, o jornal distorce o episódio de maneira grave: transforma uma autocrítica em acusação.
Lima Duarte, aos 96 anos, não estava fazendo piada nem reproduzindo preconceito de forma leviana.
Ao contrário: sua fala foi um exercício de revisão pessoal, uma reflexão sobre pensamentos e atitudes de outro tempo. É o tipo de depoimento que exige escuta atenta e inteligente. O que houve ali foi o reconhecimento de um ato racista, não uma celebração.
Homenageado nesta segunda (4) na cerimônia de premiação da APCA (Associação Paulista de Críticos da Arte), o ator Lima Duarte, 96, provocou polêmica ao proferir uma frase racista durante seu discurso de agradecimento.
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🎥Reprodução pic.twitter.com/fDIatsc4Re— Folha de S.Paulo (@folha) May 6, 2026
A lógica de lacração levou a destacar o trecho como anedota. Mas essa leitura apressada ignora o contexto e o sentido do discurso. Há uma diferença essencial entre repetir uma frase racista e expor essa frase como parte de uma crítica ao próprio passado. A Folha escolheu não fazer essa distinção — e, ao fazer isso, jogou combustível num ambiente já inflamável.
O resultado é previsível: a máquina das redes sociais entra em ação, muitas vezes sem que as pessoas tenham sequer assistido ao discurso completo.
Quando não está revirando a memória de quem já morreu, como ocorreu com Rita Lee, o jornal joga um artista idoso na fogueira.
