Folha, Globo e Estadão, o triunvirato antinacional. Por J. Carlos de Assis

Atualizado em 1 de agosto de 2023 às 17:57
Os jornais Folha de S.Paulo, Globo e Estadão. Foto: Reprodução

Houve um tempo em que a Folha de S.Paulo, disputando o terceiro lugar entre O Globo e o Estado de S.Paulo, distinguia-se entre o oligopólio comandado pelos outros dois como um jornal progressista, alinhado com a verdade e o interesse nacional. Agora tornou-se, também ela, um pasquim entreguista, que acompanha a corrente neoliberal radicalizada nos anos Temer e Bolsonaro. Com isso, é preciso cada vez mais recorrer à imprensa estrangeira para lermos no Brasil jornais impressos independentes.

​No noticiário doméstico, os três “grandes” são unânimes no desprezo pela indústria nacional. A Folha, porém, está cometendo excessos. Num editorial recente, atacou violentamente a decisão da Petrobrás de renovar sua frota auxiliar de navios, com encomendas a estaleiros brasileiros. Pouco lhe importa se isso levará à mobilização de cerca de 35 mil trabalhadores no país. Para ela, o importante é a abstração idiota do “livre mercado”, o qual, na prática, só é livre para grandes monopólios externos tomarem os nossos contratos.

A “grande imprensa” emprestou todo o seu suposto prestígio para apoiar unanimemente as denúncias da Lava Jato. Nada investigou. Apenas repetiu as intrigas difundidas pelo então procurador de Curitiba e hoje deputado federal cassado, Deltan Dallagnol, assim como pelo juiz afastado por “parcialidade”, Sérgio Moro. Com isso, deu contribuição decisiva para destruir praticamente todas as grandes empresas de construção do país, e cerca de 4 milhões de empregos. Foi um golpe contra a Nação.

Em relação aos temas internacionais, todos os grandes jornais impressos do país têm tido um comportamento vergonhoso. Apresentam-se como filiais do Departamento de Estado americano, seguindo estritamente a linha política de Washington. Assim, são ignoradas notícias de extrema importância, como o anúncio de Robert Kennedy Jr, que surgiu como desafiante de Joe Biden no Partido Democrata, declarando-se abertamente como contrário à guerra na Ucrânia.

Kennedy já tem 16% de indicações de voto nas primárias democratas. As declarações que deu não podem ser simplesmente ignoradas, pois antecipam uma atitude que assumirá caso ganhe a presidência. Isso é reforçado pelo fato de que também Donald Trump, o líder das pesquisas nas primárias do Partido Republicano, se diz igualmente contra o envolvimento americano na guerra da Ucrânia. Com a omissão na divulgação dessas notícias, o triunvirato jornalístico brasileiro assume indiretamente uma posição pró-guerra.

​Na verdade, como a imprensa ocidental como um todo, a brasileira se deixa corromper pelos senhores da guerra do eixo Washington-Londres, que revelam querer o conflito na Ucrânia com a intenção óbvia de favorecer o aumento da venda e da transferência de armas da OTAN para Kiev. Robert Kennedy Jr disse com todas as letras que é simplesmente impossível que a Ucrânia ganhe a guerra contra a Rússia. Não obstante, não vi nos “jornalões” brasileiros, também sobre isso, sequer uma linha.

​Na área econômica internacional, os “jornalões” haviam aprovado com grande entusiasmo as gestões de Paulo Guedes para apressar o acordo com a União Europeia-Mercosul, aceitando a infame cláusula de virtual entrega dos contratos das grandes obras públicas do Brasil às empresas multinacionais. Se aceitássemos essa regra entreguista, novamente em nome do “livre mercado”, estaríamos concluindo o processo de liquidação da construção pesada do país iniciado pela Lava Jato.

Não vi um único editorial dos “jornalões” defendendo a atitude de Lula de recusar terminantemente essa cláusula, que se tornou um ponto de divergência fundamental nas negociações do acordo. Não fosse a firmeza do presidente em mandar reescrevê-lo, sem essa imposição europeia, este seria mais um passo na saga entreguista iniciada por Temer e Bolsonaro, sob as bênçãos e a omissão do triunvirato jornalístico que controla a ideologia antinacional no país.

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