Folha repete com Lula o que Vera Magalhães fez com Martinho da Vila no Roda Viva

Martinho da Vila se apresenta no Faustão. Imagem: reprodução Globo
Merecidamente, Martinho da Vila sempre foi bem recebido no Faustão e em outros programas também

A Folha virou o Roda Viva de papel.

O editorial em que manifesta sua opinião sobre Lula é um exemplo. Sempre mais critico que aquele destinado ao amigo Serra.

O tucano é tratado com mesuras. O petista com casca e tudo.

Como Vera Magalhães faz no Roda Viva.

Veja o caso Martinho da Vila. O gênio que voltou para os bancos escolares aos 80 anos (a delicadeza em pessoa) foi jogado contra a parede para explicar a relação das escolas de samba com as milícias.

Martinho da Vila, Vera, milícias?

Ela assustou o senhorzinho, e de resto o Brasil. Imediatamente todo mundo lembrou que nunca perguntou nada disso para Sergio Moro. Como nunca contestou a farsa da Lava Jato que ele organizou para prender Lula e virar ministro da Justiça de um presidente que notoriamente tem relações com milicianos.

O carregar nas tintas não é tudo na Folha.

O editorial sinaliza também que o Datafolha vai servir de artilharia contra Lula.

No fim do texto, deita falação sobre o instituto. Leia na íntegra:

Uma sequência de vitórias judiciais abriu o caminho para uma nova candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, mas está longe de dirimir as questões sobre o passado e o futuro do líder petista.

Em decisão surpreendente tomada em março, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou todas as ações movidas pela Lava Jato em Curitiba contra o ex-presidente.

A medida, referendada no mês seguinte pelo plenário da corte, amparou-se no entendimento de que os processos deveriam correr em outra jurisdição.

Em junho, o STF declarou, por 7 votos a 4, a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro na condução do processo relativo ao apartamento tríplex em Guarujá (SP), que levou Lula à prisão e o impediu de disputar as eleições de 2018.

O entendimento foi estendido a outra condenação imposta em Curitiba, no caso do sítio de Atibaia (SP).

Quanto a este, a juíza Pollyanna Martins Alves, de Brasília, rejeitou no último sábado (21) a denúncia reapresentada pelo Ministério Público Federal.

A magistrada considerou que a peça falhava na apresentação das provas; considerou também que houve prescrição para o ex-presidente e outros acusados com mais de 70 anos.

As decisões judiciais foram bem fundamentadas —ainda que a medida inicial de Fachin tenha suscitado estranheza pela aplicação tardia. Lula, como qualquer cidadão, deve ser considerado inocente até prova em contrário.

Mas Lula é também candidato em potencial ao Planalto, e não um candidato qualquer. Hoje, lidera as pesquisas.

Se vier a participar da disputa, como parece muito provável, os eleitores não disporão de um veredito da Justiça a respeito de suas relações com empreiteiras que fizeram negócios lícitos e ilícitos com seu governo. Não houve reexame de provas e depoimentos, e dificilmente haverá tempo para tal.

Se o caso Lula não foi perseguição midiática e juducial, foi o que então? 

Antes de ser anulado, o processo do tríplex chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que em 2019 confirmou, embora com pena menor, a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro devido ao recebimento de favores da OAS.

Já o caso do sítio, que envolve benfeitorias patrocinadas pelas construtoras OAS e Odebrecht na propriedade utilizada pelo petista e sua família, havia resultado em condenação pelos mesmos crimes no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a segunda instância.

O discurso de que tudo não passou de perseguição política, midiática, policial e judicial pode convencer os militantes, mas precisará passar pelo teste da campanha.

Como o Datafolha apurou, em março 57% dos brasileiros aptos a votar consideravam que a condenação pelo tríplex fora justa.

Restarão ainda os fatos comprovados dos escândalos do mensalão e da Petrobras. É um fardo pesado para um candidato, e não menos para um possível presidente.