“Fora Bolsonaro”, diz ex-chefe da Lava Jato que confessou que o candidato da operação era o fascista

Carlos Fernando dos Santos Lima

A desfaçatez é inacreditável.

O ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, guru de Deltan Dallagnol, antiga estrela da Lava Jato, hoje advogado e “consultor em compliance”, resolveu pedir “Fora Bolsonaro”.

“Desisto da polidez e boa educação”, escreve ele no UOL sobre dois atributos que nunca o marcaram especialmente.

“Não podemos mais aceitar o que acontece. Nem estou falando da corrupção evidente nos gabinetes de seus filhos, nem sua união com a escória política do Congresso Nacional, nem de suas escolhas de pessoas subalternas aos interesses dos políticos, aplaudidas até pelo PT, para altos cargos do STF e do Ministério Público Federal. Finjamos, como querem, que a corrupção acabou e que o problema do Brasil seja a Lava Jato, o casamento gay ou outra pauta qualquer dessa intelectualmente indigente direita cultural. Mas salvemos os brasileiros de morrer quando é possível salvá-los”.

Mais:

“É preciso revolta e indignação, por muito menos brasileiros foram às ruas em 2013. Foi triste ver imagens de tentativas de invasão do Congresso Nacional ou do Itamaraty, mas foi ali que iniciou a percepção de que havia algo de muito podre no Brasil. Dilma Rousseff foi ‘impichada’ por muito menos que Bolsonaro já fez. A ex-presidente realmente era incapaz para o cargo, mas Bolsonaro transcende qualquer definição de inadequação ou irresponsabilidade. Fora Bolsonaro!”

Se alguém tem as mãos sujas de sangue, é Lima e seus antigos colegas de Curitiba.

Bolsonaro sempre foi o mesmo. Quem supostamente mudou foi Lima.

O próprio Lima confessou que a operação tinha candidato numa entrevista a Renata Lo Prete:

“Infelizmente, no Brasil, nós vivemos um maniqueísmo, né? Então nós chegamos… Inclusive, no sistema de dois turnos, faz com que as coisas aconteçam dessa forma. É evidente que, dentro da Lava Jato, dentro desses órgãos públicos, de centenas de pessoas, existem lava-jatistas que são a favor do Bolsonaro. Muito difícil seria ser a favor de um candidato que vinha de um partido que tinha o objetivo claro de destruir a Lava Jato. Seria muito difícil acreditar que…

“Você está se referindo a Fernando Haddad?”, indaga Renata.

Ele retoma: “A Fernando Haddad, obviamente. Então nós vivemos este dilema: entre a cruz e a caldeirinha; entre o diabo e o coisa ruim, como diria o velho Brizola. Nós precisamos parar com isso. Nós realmente temos que ter opções. Infelizmente, um lado escolheu o outro. E, naturalmente, na Lava Jato, muitos entenderam que o mal menor era Bolsonaro. Eu creio que essa era uma decisão até óbvia, pelas circunstâncias que Fernando Haddad representava justamente tudo aquilo que nós estávamos tentando evitar, que era o fim da operação. Agora, infelizmente, o Bolsonaro está conseguindo fazer”.

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