Foragido do 8/1 condenado pelo STF a 14 anos de prisão morre na Argentina

Atualizado em 29 de março de 2026 às 21:12
O bolsonarista José Eder Lisboa. Imagem: reprodução

O adestrador de cães José Eder Lisboa, de São Carlos (SP), morreu na noite de sexta-feira (27) na Argentina, onde estava foragido após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e seis meses de prisão em regime fechado por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

A morte foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas (ASFAV) do 8 de janeiro e confirmada pela advogada Carolina Siebra, que representava Lisboa. Segundo a entidade, ele estava longe da família e do país, adoeceu e permaneceu internado por vários dias em um hospital argentino, onde não resistiu.

Atos golpistas do 8 de janeiro de 2023. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

De acordo com a advogada, Lisboa apresentou problemas de saúde no fim do ano passado, inicialmente tratados como botulismo — doença neurológica causada pela toxina da bactéria Clostridium botulinum —, mas depois diagnosticados como Síndrome de Guillain-Barré, condição autoimune que ataca os nervos periféricos e pode causar fraqueza muscular e paralisia. Ele chegou a apresentar melhora, mas acabou morrendo.

Os familiares pretendem trazer o corpo, que está sendo velado na Argentina, para o Brasil. O Itamaraty foi procurado, mas não havia se manifestado até a última atualização. Lisboa havia sido preso durante a invasão em Brasília, tornou-se réu em maio de 2023 e teve a prisão revogada em agosto, permanecendo em liberdade com restrições antes de deixar o país.

No julgamento concluído em junho de 2024, ele foi condenado por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Além da pena, recebeu condenação de 1 ano e seis meses de detenção, multa de R$ 43,4 mil e obrigação de dividir uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos com outros réus.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.